Sindicato dos Magistrados do MP considera afirmações de Alípio Ribeiro curiosas

05.05.2008 - 16:52 Por Lusa
O presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público considerou hoje "curioso" que as declarações do director nacional da Polícia Judiciária (PJ), Alípio Ribeiro, sobre a passagem daquela polícia para a tutela a Administração Interna ocorram após dados sobre queda da operacionalidade da PJ, “já no mandato do actual director”, comentou António Cluny.
Alípio Ribeiro admitiu, em entrevista ao Diário Económico, a saída da PJ da competência do Ministério da Justiça, para melhorar a coordenação entre as polícias, rejeitando a ideia de que a transferência da tutela da PJ para o Ministério da Administração Interna (MAI) prejudique a relação desta polícia com o Ministério Público.
Ainda a propósito das afirmações de Alípio Ribeiro, António Cluny acentuou que, "em todo o caso, haverá que tomar em consideração que o director nacional da PJ não é mais do que um alto funcionário do Ministério da Justiça, pelo que sobre essa matéria só interessa o que pensa e decide o ministro da Justiça". "A responsabilidade política e administrativa decorrente destas declarações terá de ser também o ministro da Justiça a retirá-las", concluiu.
Entretanto, fontes dos gabinetes do ministro da Justiça, Alberto Costa, e do ministro da Administração Interna, Rui Pereira, disseram não haver comentários a fazer às declarações do director nacional da PJ.
Reunião agendada para hoje
A direcção do SMMP tem agendada para hoje uma reunião, durante a qual analisará as afirmações proferidas por Alípio Ribeiro, podendo eventualmente emitir um comunicado sobre o assunto.
Também hoje, a Associação Sindical dos Funcionários da Investigação Criminal (ASFIC) da PJ mostrou-se "radicalmente contra" a mudança da PJ para a tutela do MAI, contestando que a ideia surja num momento em que se devia estar a debater a problemática da criminalidade. Carlos Anjos, presidente da ASFIC, classificou a entrevista de Alípio Ribeiro como uma "manobra de diversão" relativamente aos problemas da criminalidade e em relação à "falta de meios" desta polícia de investigação criminal.
Por ser lado, o presidente da Associação Sindical dos Seguranças da PJ, Nuno Moreira, disse que "a mudança de tutela da PJ não tem lógica, porque o MAI tutela as forças de segurança e a PJ é um corpo superior de investigação criminal, não é uma força de segurança".

