Sindicato aponta para adesão à greve dos enfermeiros superior a 80 por cento

12.05.2009 - 11:44 Por Romana Borja-Santos
A greve dos enfermeiros está a ter uma adesão de 80,23 por cento, de acordo com os dados provisórios de que o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses dispunha às 11h15. Um número que não espanta a presidente, Guadalupe Simões, que garantiu ao PÚBLICO que a classe está muito unida nas suas reivindicações.
Até ao momento os estabelecimentos cujos dados foi possível apurar e que registam números mais elevados são os hospitais de Vila do Conde, Lagos e Fundão (100 por cento), o Hospital da Póvoa de Varzim (97,96 por cento ) a Maternidade Bissaya Barreto em Coimbra (94,12 por cento) e o IPO de Lisboa (90,79 por cento).
“Os enfermeiros lutam pelo que consideram justo para eles, mas também para garantirem melhores cuidados e uma enfermagem de excelência”, explicou Guadalupe Simões. Porque, segundo o sindicato, as actuais políticas de saúde estão a prejudicar profissionais e utentes. Ainda assim, assegurou que os enfermeiros estão a respeitar os serviços mínimos “não pondo em causa com a paralisação o que é o essencial das necessidades dos doentes em cuidados de saúde”.
A greve pretende também assinalar o Dia Internacional do Enfermeiro, que se celebra hoje, pelo que a presidente do sindicato aproveita para dar os parabéns a todos os enfermeiros, em Portugal ou no estrangeiro, que se unem para melhorar uma profissão que tem, denuncia a sindicalista, condições de trabalho cada vez mais degradadas e que enfrenta falta de profissionais.
Manifestação junto ao Ministério
Está também marcada para hoje uma manifestação em Lisboa – que começa em frente ao Ministério da Saúde e que segue para a residência oficial do primeiro-ministro – para contestar o actual processo de renegociação das carreiras destes profissionais. As duas iniciativas surgem depois de a última reunião com o Ministério da Saúde, a 7 de Maio, não ter tido resultados positivos, com a Comissão Negociadora dos Sindicatos dos Enfermeiros a acusar a tutela de ter "recuado" em algumas das propostas já acordadas entre as duas partes.
A grelha salarial dos enfermeiros continua a ser uma das grandes batalhas, a par com a não diferenciação dos contratados em relação ao resto da classe. Apesar de serem licenciados, tal como os professores ou os inspectores, a tutela propõe que recebam menos. Aos enfermeiros é proposto um ordenado de 1200 euros, enquanto os inspectores recebem cerca de 1400 e os professores 1500, referiu. O Ministério da Saúde propõe ainda dez posições remuneratórias, mas segundo a sindicalista "nenhum enfermeiro vai conseguir atingir" a proposta de topo, uma vez que "para isso são necessários 50 anos de exercício profissional", quando na realidade os enfermeiros se aposentam depois de 40 anos de serviço.
A greve, a terceira desde o início do ano, foi convocada por todas as estruturas sindicais dos enfermeiros. A anterior paralisação, no final de Abril, teve uma adesão de 77 por cento, segundo o sindicato, e de 64,5 por cento, segundo a Secretaria-Geral do Ministério da Saúde.

