Silva Pereira recusa "popularidade fácil" em resposta ao apelo de bispo Carlos Azevedo

23.07.2010 - 15:12 Por Lusa
O ministro Pedro Silva Pereira considera que "faz sentido apelar aos portugueses no sentido de serem mais generosos neste momento de dificuldades" mas defende que não deve ser assunto "para propaganda e popularidade fácil".
O ministro da Presidência do Conselho Ministros Pedro Silva Pereira falava aos jornalistas à margem da cerimónia de entrega de prémios de mérito escolar a jovens beneficiários do Programa Escolhas, reagindo às palavras do bispo auxiliar de Lisboa, D. Carlos Azevedo, que desafiou, em entrevista à SIC, os políticos cristãos a abdicarem de 20 por cento dos seus salários para um fundo social.
"Quando participo em acções de caridade nunca faço propaganda disso, é aliás um principio evangélico, que o sr. bispo conhece, quando há acções de caridade, nem a nossa mão esquerda deve saber o que faz a mão direita, não acho que seja assunto para propaganda e popularidade fácil", afirmou o ministro.
Silva Pereira explicou ainda que "faz sentido apelar aos portugueses no sentido de serem mais generosos neste momento de dificuldades. Esta mensagem deve ser dirigida àqueles que mais podem, independentemente das funções que exercem ou das profissões que têm. É um esforço nacional em que todos se devem co-responsabilizar, mas em primeira linha há-de ser para aqueles que têm mais recursos, independentemente das funções e das profissões".
Silva Pereira aproveitou também para interpretar as palavras do bispo Carlos Azevedo, afirmando ter entendido um "apelo ao diálogo social, a um pacto social". E frisou que o Governo "tem se empenhado desde sempre na existência desse diálogo político para dar mais estabilidade ao país".
O Governo, afirmou, "tem-se empenhado para garantir essas condições de estabilidade, e também para que esse diálogo se estenda aos parceiros sociais, para os grandes objectivos estratégicos para o país, num pacto para o emprego, num pacto para a internacionalização, portanto essa vontade é muito convergente com a vontade do Governo".
O bispo auxiliar de Lisboa, D. Carlos Azevedo deixou, em declarações à SIC Notícias, um desafio aos políticos para que cedam 20 por cento dos rendimentos para um fundo social. O bispo considera que a crise é tão grave que todos têm de dar o seu contributo para que as vítimas não continuem a aumentar.
“Era muito bom que os políticos cristãos dissessem ‘eu cedo do meu ordenado 20 por cento para um fundo social´. Isso era um testemunho concreto. É preciso decisões novas, alguma coisa que digam às pessoas que é possível”, disse.

