Nova moda entre os adolescentes americanos

"Sexting", nudez e telemóveis

23.03.2009 - 17:59 Por Susana Almeida Ribeiro

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Em todo este fenómeno, os pais têm um papel fundamental Em todo este fenómeno, os pais têm um papel fundamental (Paulo Pimenta/PÚBLICO)
Hormonas adolescentes e novas tecnologias. Estão reunidos os ingredientes básicos para uma receita de problemas. O sexting é a palavra inglesa que junta sex com texting e que, em termos gerais, quer dizer que os jovens do século XXI andam por aí a escrever mensagens picantes e a tirar fotografias a eles próprios, nus ou seminus, enviando-as de seguida para os telemóveis de namorados e amigos. Brincadeiras inocentes e sexy, dizem eles. Dissolução moral, dizem os educadores. Brincadeiras perigosas, dizem os pais. Pornografia infantil, clama a Justiça.

Apesar de as imagens em trajes íntimos (ou sem eles) serem normalmente destinadas aos namorados e namoradas, elas acabam muitas vezes em telemóveis alheios, graças à facilidade de partilha destes ficheiros. Daí até à Internet, onde as fotografias se espalham como fogo em capim seco pelas redes sociais, é um pequeno passo. A humilhação pública das vítimas já causou pelo menos um suicídio nos Estados Unidos, em 2008, e mais do que uma condenação por difusão de pornografia infantil.

Jessica (Jessie) Logan tinha 18 anos quando pegou numa corda e se enforcou, no seu próprio quarto. Várias semanas antes tinha enviado fotos suas, nua, ao rapaz com quem saía há cerca de dois meses. Esse mesmo rapaz reencaminhou as imagens para quatro amigas, e quando Jessie deu por ela o liceu andava a chamar-lhe nomes pelas costas. “Galdéria” era um deles. O mais eufemístico. De simpática e extrovertida cheerleader, a jovem transformou-se numa finalista deprimida e fugidia, que muitas vezes preferia ficar dentro do carro, no parque de estacionamento, porque não tinha coragem de entrar no edifício da escola e enfrentar os colegas.

A 3 de Julho do ano passado, a pressão atingiu o seu auge e Jessie cedeu. Pendurou-se numa corda e preferiu morrer. O caso chocou Cincinnati (Ohio) e a nação. Afinal que tipo de brincadeiras perigosas são estas em que os filhos da América andam metidos?

Um em cada cinco adolescentes admite sexting
Os pais de Jessie, Albert e Cynthia Logan – que consideram que as autoridades liceais não fizeram o suficiente para proteger a sua filha – tornaram a história pública e esperam agora que os EUA adoptem novas leis para combater este fenómeno que está a fazer vítimas mas que não apresenta nenhum culpado. “Queremos que seja aprovada uma lei”, indicou a mãe, Cynthia, ao Cincinnati.com. “É uma epidemia nacional. Ninguém está a fazer nada – nem as escolas, nem a polícia, nem os adultos, nem os advogados, ninguém”.

O caso de Jessie, até agora o único conhecido com este desenlace dramático, não é um caso isolado numa nação em que os adolescentes sentem cada vez mais pressão para embarcarem no fenómeno do sexting.

Em Outubro do ano passado, uma aluna do 8.º ano passou a noite num centro de detenção juvenil depois de uma fotografia sua, toda nua, ter acabado no ecrã do telemóvel do seu treinador, depois de o destinatário original da fotografia a ter reencaminhado para o professor. Em Janeiro último, três adolescentes (com idades entre os 14 e os 15 anos) que, alegadamente, enviaram fotografias delas próprias, nuas ou seminuas, através do telemóvel, e três colegas seus (entre os 16 e os 17 anos) de um liceu da Pensilvânia foram acusados de pornografia infantil, relata a CBS.

Igualmente este ano, no Wisconsin, um rapaz de 17 anos foi acusado de ter em sua posse pornografia infantil, depois de ter colocado online fotografias da sua namorada de 16 anos tal como veio ao mundo, indica a ABC. No estado de Alabama, as autoridades também detiveram quatro adolescentes que tinham trocado entre si fotografias em que apareciam todos nus. Em Rochester, estado de Nova Iorque, um rapaz de 16 anos poderá vir a cumprir uma pena de sete anos de prisão por ter reenviado uma fotografia da sua namorada de 15 anos aos seus amigos.

Em resumo, adolescentes de pelo menos uma dúzia de estados norte-americanos foram acusados nos últimos meses por posse e disseminação de pornografia infantil. Caso sejam condenados, muitos destes adolescentes podem ficar com o cadastro manchado com a expressão que ninguém nos Estados Unidos quer ouvir: “sex offender”. Pior: este rótulo pode ficar colado aos jovens por muitos e maus anos. Nos EUA estas coisas são levadas muito a sério.

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