A sessão de hoje do julgamento do processo Casa Pia foi suspensa devido à greve de dois dos juízes do colectivo, da equipa do Ministério Público e de uma das duas funcionárias judiciais, disse fonte do Tribunal do Monsanto.
De acordo com a mesma fonte, aderiram à paralisação do sector da Justiça os juízes Lopes Barata e Ester Santos (asas do colectivo presidido por Ana Peres) e a equipa do Ministério Público, liderada pelo procurador João Aibéo, que está em exclusividade neste caso, e composta por Cristina Faleiro e Paula Soares.
Hoje, no Tribunal do Monsanto compareceram apenas a juíza presidente do colectivo, Ana Peres, e uma das funcionárias judiciais, que irá à tarde para o Tribunal da Boa Hora para cumprir os serviços mínimos.
Na última sessão do julgamento, na passada segunda-feira, o procurador do MP João Aibéo já tinha anunciado que a sua equipa iria aderir à greve do sector. Apesar de aderir à greve, o procurador-geral adjunto João Aibéo esclareceu que, uma vez que está em regime de exclusividade neste processo, "estará 24 sobre 24 horas disponível para apreciação de qualquer eventual situação que tenha a ver com a liberdade do arguido preso - Carlos Silvino da Silva - ou com o interesse ou protecção das vítimas".
Relativamente às procuradoras do Ministério Público Cristina Faleiro e Paula Soares, João Aibéo sublinhou que estão sujeitas aos serviços mínimos, uma vez que não estão em regime de exclusividade neste processo.
Uma das duas funcionárias judiciais adstritas ao processo também faz greve hoje, como já tinha acontecido na paralisação de 29 e 30 de Setembro marcada pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais.
Apesar de a greve de juízes se prolongar quinta-feira, a juíza presidente do colectivo marcou diligências para esse dia, mas a sessão não se deverá realizar devido à greve dos dois "asas".
Assim, o julgamento prosseguirá na sexta-feira de manhã, com a audição de uma nova testemunha, devendo regressar segunda-feira ao tribunal o jovem que tem estado a depor, considerado a principal testemunha, e cuja instância de perguntas foi interrompida devido às greves.
A juíza já calendarizou a audição das testemunhas que vão ser ouvidas por videoconferência, mas devido ao facto de o Conselho Superior da Magistratura não ter ainda nomeado o juiz que os irá acompanhar serão ouvidas outras das alegadas vítimas, disse a mesma fonte.


