O bastonário da Ordem dos Médicos afirmou hoje que será difícil travar os pedidos em massa de reformas antecipadas na classe, considerando que a situação é fruto de um crescente mal-estar entre os profissionais de saúde.
"Infelizmente aconteceu aquilo que prevíamos há cinco anos, que a mudança de paradigma nos serviços de saúde de uma lógica médica para uma lógica estritamente de produtividade iria desmobilizar os médicos e desmotivá-los", declarou à agência Lusa.
As estimativas do Ministério da Saúde e do Sindicato Independente dos Médicos apontam para 500 casos de profissionais que pediram a reforma antecipada já este ano.
Para o bastonário, os médicos "estão zangados com o sistema" e sentem-se "defraudados".
"Vai ser difícil pôr um travão a isto e convencer as pessoas a manterem-se. A partir do momento em que os médicos foram empurrados para uma lógica unicamente baseada nos aspectos financeiros e económicos eles reagiram", afirmou Pedro Nunes, atribuindo ao ex-ministro da Saúde Correia de Campos a responsabilidade de iniciar esta mudança de paradigma.
No entender do representante dos médicos, a antecipação do alargamento da idade da reforma pretendida pelo Governo foi apenas "a faísca que provocou uma explosão do mal-estar sentido há muito tempo".
"É um movimento que se vinha a agravar e que subitamente foi desencadeado por esta nova situação. Hoje em dia trabalhar no SNS não é atractivo para os médicos e além disso há outras múltiplas alternativas para os médicos. Tudo o que era feito por amor à camisola deixou de ser valorizável e os médicos tendem a procurar as melhores soluções para si. E essas passam muitas vezes pela reforma", justificou.


