Entrevista ao cardeal franciscano Seán O’Malley

Sem Ratzinger, a Igreja dos EUA não teria recuperado

12.05.2010 - 20:49 Por Bárbara Wong

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Depois do escândalo da pedofilia que envolveu vários sacerdotes católicos e muitas centenas de vítimas, o cardeal franciscano Seán O’Malley foi escolhido por João Paulo II em 2003 para dirigir a diocese de Boston, Massachussetts, Estados Unidos. O seu antecessor, Bernard Law foi acusado de encobrir os sacerdotes pedófilos e acabou por resignar. Hoje o cardeal fala de uma igreja renascida com cada vez mais fiéis. É dos desafios que se põem aos cristãos, nos dias de hoje, que escreve no livro Anel e Sandálias, lançado por estes dias, da Paulinas Editora.

Este Papa tem sido acusado de, antes de ser eleito, ter encoberto os casos de pedofilia no interior da Igreja. São justas essas acusações?

Tem sido um grande defensor das crianças, sem a sua ajuda teria sido impossível à Igreja dos EUA recuperar. Outros na Santa Sé talvez não compreendessem a seriedade da situação mas o então cardeal Ratzinger deu conta disso e permitiu mudar várias normas do Direito Canónico para fazer face à situação.

Que tipo de políticas foram encontradas para evitar que os casos de pedofilia voltassem a acontecer?

Começámos a seriar internamente os sacerdotes, freiras, catequistas e paroquianos mais activos. Trabalhamos em ligação estreita com as autoridades e informamos sobre acusações que recebemos. Quando um sacerdote muda de paróquia é feita uma investigação e este tem que trazer uma carta assinada pelo bispo em como está tudo bem. Também temos aulas para ensinar as crianças sobre como identificar e agir em situações estranhas e também sobre como falar de coisas que tenham acontecido. Estou seguro que as nossas paróquias e escolas são os lugares mais seguros no mundo porque fazemos o que as escolas públicas não fazem.

A pedofilia não foi só um problema da Igreja norte-americana. Como interpreta as notícias sobre mais casos na Europa?

Muitos desses casos datam da mesma época que os norte-americanos, são dos anos de 1960/1970. Na altura, não se tinha consciência dos danos que os abusos sexuais provocavam nas crianças e olhava-se para os adultos como doentes que se podiam curar, em vez de se ter em conta a situação psicológica das vítimas. É triste que tudo isto aconteça mas que seja para a purificação da Igreja e que a torne num sítio seguro.

O que foi feito nos EUA desde que estes casos se tornaram conhecidos?

Nos últimos dez anos temos feito muitos avanços e para a conferência episcopal norte-americana é uma prioridade educar o povo sobre a pedofilia. Em Boston mais de 200 mil crianças fizeram um curso sobre o tema e algumas chegaram a dizer que alguém na família já tinha abusado dela. Muitas vezes as crianças não sabem que o abuso é errado porque confiam no adulto. Hoje, as crianças sabem que os professores, os padres, as freiras e os catequistas são pessoas nobres em quem podem confiar.

A percentagem de padres pedófilos é significativa ou os casos são demasiado mediatizados?

A percentagem de casos dentro da Igreja é mínima, os casos mais comuns são os que acontecem no seio da família ou em ambientes onde há crianças como nas escolas públicas e na prática desportiva. Os pedófilos buscam situações onde tenham contacto com crianças e há profissões com maior incidência. Nos seminários norte-americanos fazemos exames psicológicos aos candidatos para evitar essa situação.

Dez anos depois, os fiéis que se afastaram estão a regressar à Igreja?

Alguns sim. Este ano, na Páscoa recebemos 150 mil novos católicos, adultos, pessoas de outras religiões que se converteram. Anualmente a Igreja Católica norte-americana vê os seus fiéis crescer, em boa parte por causa da emigração.

O que é que diria aos que não regressaram?

Que não podemos deitar fora o bebé com a água do banho. A Igreja é de Cristo e os dons de Deus são essenciais para viver uma vida cristã. É impossível ser discípulo sozinho. A cultura moderna é muito individualista e as pessoas dizem que são espirituais mas o plano de Deus é que todos façamos parte do corpo de Cristo para construir a civilização do amor e da justiça, onde há solidariedade entre as pessoas que lutam juntas para o bem comum.

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Não se percebe

O que tem o título que ver com a notícia...?????? 12 anos de escolaridade no ensino ...

Paola

13.05.2010 00:37

X

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