Seia volta a receber amanhã as oito camas para os Cuidados Continuados

10.09.2009 - 07:47 Por Margarida Gomes, Filomena Fontes
As oito camas retiradas da Unidade de Cuidados Continuados, no dia seguinte à inauguração do novo Hospital de Seia pela ministra da Saúde, vão ser instaladas definitivamente amanhã. Quem o garantiu ao PÚBLICO foi o presidente da câmara local, o socialista Eduardo Brito, lamentando as proporções que o caso ganhou por causa de "um erro do conselho de administração" do hospital, que poderia ter sido evitado.
"O conselho de administração deveria ter sido mais previdente, não havia razão para isto suceder. Eu próprio, no dia seguinte, quando vi a notícia, fiquei para morrer", afirma o autarca.
A denúncia de que a empresa que cedeu as camas para equipar a unidade as foi buscar ao hospital foi feita pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, há uma semana, e tem servido de arma de arremesso eleitoral contra o Governo do PS, sobretudo por parte do líder do BE, Francisco Louçã. Apanhada de surpresa, a ministra da Saúde, Ana Jorge, reagiu num primeiro momento com perplexidade, prometendo averiguar o que se passou.
E ontem, em declarações à Rádio Renascença, lamentou também o processo, remetendo a responsabilidade para "a gestão do centro hospitalar", explicando que houve um "pequeno desajustamento" com o fornecedor das camas. "Mas o hospital não deixou de funcionar e isso é que é preciso garantir", acentuou Ana Jorge.
Reconhecendo que toda a contenda gerou "uma imagem negativa" para o concelho, o presidente da Câmara de Seia entende que, mal se soube da notícia, o conselho de administração deveria ter explicado as razões que levaram a empresa a retirar o equipamento - as camas fornecidas não correspondiam ao tipo de equipamento que tinha sido comprado pelo hospital. Para o autarca, todavia, o caso assumiu uma dimensão política que, na verdade não tem, apenas porque atravessamos um período eleitoral.
Eduardo Brito vinca que o serviço, destinado ao apoio de idosos, só vai abrir no final deste mês. Daí que nunca estivesse estado em causa o seu funcionamento. "Na segunda-feira regressará a tranquilidade. Eu próprio vou fazer uma nota à população, explicando o que se passou", adiantou o autarca, que não se esquece do "duro combate" que travou com o Governo de Durão Barroso, mas também com o de José Sócrates para conseguir instalar aquela unidade de saúde no concelho.
O PÚBLICO tentou ouvir a administração do hospital, mas ninguém esteve disponível para esclarecer as circunstâncias do caso.
Investimento de oito milhões de euros
Representando um investimento de oito milhões de euros, as obras de ampliação do Hospital de Seia foram inauguradas pela ministra da Saúde, Ana Jorge, no dia 31 de Agosto. Este centro hospitalar passa a dispor de internamento de agudos, com 23 camas para a medicina interna e nove camas para a cirurgia. O internamento de convalescença conta com 20 camas para doentes em recuperação médica e internamento com duração máxima de 30 dias, e o internamento de cuidados paliativos, com 10 camas. Sob a tutela da Unidade Local de Saúde da Guarda, o Hospital de Seia vai servir 50 mil habitantes.

