Segurança Social foi a excepção em dia de serviços mínimos generalizado

21.02.2012 - 19:08 Por João d´Espiney
A Segurança Social foi a excepção num dia de serviços mínimos em Lisboa no dia de Carnaval. Esta é a principal conclusão que se pode retirar da ronda que o PÚBLICO fez hoje para perceber como funcionaram vários organismos públicos nesta terça-feira sem tolerância de ponto.
O dia começou precisamente pelo Centro Distrital de Lisboa da Segurança Social, no Areeiro, bem conhecido pela grande afluência diária de utentes e longos tempos de espera. E mal entrou no edifício deu para perceber que parecia um dia como outro qualquer. Tomás decidiu ir hoje tratar da transferência do seu subsídio de desemprego porque “esperava que estivesse menos gente”, mas teve uma má surpresa: “Não há menos afluência. A fila estava igual”.
Marco Paiva foi pagar a Segurança Social da sua empresa e também esperava despachar-se cedo mas às 8h30 já havia fila. Às 12h, ainda aguardava pela sua senha. “Estão a dar menos senhas. Parece que costumam estar quatro pessoas nos guichets das empresas e hoje só estão duas. Normalmente desisto, mas hoje espero estar despachado até ao final do dia”, disse.
Uma das seguranças do centro confirmou que às 09h15 a fila já começava fora do edifício e que não sentia “nenhuma diferença” em relação aos outros dias. “Muitas pessoas vieram a pensar que estaria menos gente” mas “está a ser um dia como os outros”, garantiu.
Muitas cadeiras vazias e funcionárias mascaradas
No centro de saúde de Sete Rios, o PÚBLICO pode constatar que as várias salas de espera tinham muitas cadeiras vazias por volta das 12h45. Júlia, uma das recepcionistas do centro, admitiu mesmo que ficou “muito admirada” quando chegou às 7h15 e reparou que “só havia uma pessoa na sala de espera. “A essa hora a sala já costuma estar cheia de gente”, lembrou. Sandra Gaspar, técnica informática no centro, foi uma das funcionárias que decidiu ir trabalhar com uma peruca. “Já que não nos deram o dia de Carnaval e não me deixam ir brincar com o meu filho vim assim. E só não vim toda mascarada porque ninguém alinhou”, admitiu, entre sorrisos, garantindo que nenhum superior “lhe chamou a atenção por isso”. “Até acharam piada”, acrescentou.
Sandra também não teve dúvidas em afirmar que o centro de saúde estava a ter “muito menos gente do que é habitual”.
No centro de saúde de Benfica, várias funcionárias foram mascaradas, uma delas com uma faca na cabeça, mas nenhuma foi autorizada a falar com a comunicação social. Quando o PÚBLICO entrou às 13h15 na vivenda onde está instalado este serviço de saúde, só estavam dois doentes na sala de espera. A coordenadora do centro confirmou que “há menos doentes” do que é habitual, “talvez porque estariam à espera de que estivesse fechado”. Dos 14 médicos que trabalham naquele centro só dois estiveram ausentes.
Finanças às moscas
Rui Melo era a única pessoa à espera de ser atendido às 15h30 na repartição de finanças Lisboa 10, na avenida Fontes Pereira de Melo. Em conversa com o PÚBLICO, Rui Melo salientou que “está muito menos gente” do que é habitual. Com efeito, eram vários os guichets a funcionar sem ninguém para atender e, para um dos funcionários da repartição, o facto de “os bancos, os CTT estarem fechados fez com que as pessoas não venham para Lisboa” e por isso há “muito menos pessoas”.
Já nas Conservatórias do Registo Civil de Lisboa, também na avenida Fontes Pereira de Melo, registava-se algum movimento mas a responsável dos serviços garantiu ao PÚBLICO que a afluência era menor do que noutros dias. Os funcionários não foram mascarados, mas alguns ecrãs de computador viam-se serpentinas enroladas.

