O presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) esclareceu hoje que os candidatos a condutores poderão passar a conduzir acompanhados por um tutor antes de realizarem exames de condução, mas a frequência de aulas será sempre obrigatória.
A Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária (ENSR) até 2015, que está a ser discutida hoje numa conferência pública na Assembleia da República, prevê uma "acção complementar" aos candidatos ao título de condução, que passa pela possibilidade de conduzirem acompanhados por um tutor, afirmou Paulo Marques.
No entanto, o presidente da ANSR sublinhou que as aulas nas escolas de condução serão "sempre obrigatórias". Segundo o responsável, esta prática já existe em vários países e é considerada uma "boa opção" que está equacionada no documento.
Paulo Marques acrescentou que em "Portugal é comum os candidatos ao título fazerem exercícios em parques de estacionamento onde não existem forças de segurança". Por isso, a ENSR propõe "melhorar a capacidade de condução" e "reforçar as capacidades do candidato para que quando chegue ao exame de condução esteja melhor preparado", afirmou.
O tipo de tutor que poderá acompanhar os novos condutores ainda não está definido, mas Paulo Marques avançou que "o tutor será responsável" e poderão existir "limitações sobre este tipo de condução acompanhada".
Na abertura da conferência parlamentar, Paulo Marques disse que apesar dos bons resultados alcançados nos últimos anos relativamente ao número de acidentes nas estradas, Portugal continua a ter "uma estratégia quando se fala de sinistralidade rodoviária".
A Estratégia de Segurança Rodoviária até 2015, que se encontra em consulta pública até ao dia 16, prevê a introdução da carta por pontos, instalação da rede nacional de radares, aumento do regime sancionatório e introdução de novos sinais, como o sinal de proibição de conduzir a mais de 30 quilómetros por hora em algumas ruas das cidades.
O actual modelo das escolas de condução e os exames práticos e teóricos vão ser também alterados no âmbito do documento, que prevê igualmente alargar as inspecções periódicas obrigatórias aos ciclomotores, motociclos, triciclos e quadriciclos.
Alargar a aprendizagem sobre segurança rodoviária às escolas, aumentar a fiscalização ao álcool, droga e velocidade, melhorar a assistência à vítima, fazer uma gestão dos locais com elevada concentração de acidentes, divulgar os indicadores de riscos das estradas e dos túneis rodoviários são outros objectivos operacionais da Estratégia, documento coordenado pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária.
Está ainda previsto a contabilização dos mortos até 30 dias após sofrerem um acidente de viação.
A Estratégia engloba um conjunto de medidas que vão ser tomadas até 2015 com o objectivo de diminuir de 850 para 579 o número de mortos nas estradas portuguesas e de colocar Portugal nos dez primeiros países da União Europeia com menor taxa de sinistralidade rodoviária.


