O secretário-geral do PSD, Miguel Macedo, criticou hoje a “falta de respostas” de José Sócrates e do Governo aos problemas do país, cujo frágil crescimento está a fazer a riqueza nacional divergir da União Europeia.
“Não ouvi a resposta do secretário-geral do PS para a circunstância de Portugal, pela primeira vez em muitas décadas, não estar a crescer mais do que a Europa, depois de uma crise”, afirmou Miguel Macedo, após o encerramento dos trabalhos do XV Congresso socialista, que decorreu em Santarém.
“Todos os dias Portugal está a perder para a média da União Europeia”, uma situação que pode levar o país a ser “ultrapassado em 2008 por Malta e Estónia” em índices de desenvolvimento, acrescentou o dirigente social-democrata. “Não vi nenhuma resposta a este problema”, acrescentou Miguel Macedo.
Bloco aplaude empenho no sim ao aborto
Já a dirigente bloquista Helena Pinto considerou “positivo o facto de o PS, através do seu secretário-geral, ter dito que se vai empenhar pelo sim” no referendo ao aborto.
“Vamos fazer um referendo e como é óbvio não se faz um referendo a pedir aos portugueses e portuguesas para irem votar, não respeitando o voto expresso” nas urnas, disse.
“Democraticamente não posso ter outra posição”, afirmou Helena Pinto, confirmando, desta forma, que concorda com a decisão de José Sócrates de respeitar a decisão do referendo, mesmo que o resultado não seja vinculativo.
“Oito anos depois [da primeira consulta popular sobre o tema], o sentir da sociedade portuguesa é que não podemos mais pactuar com a perseguição das mulheres, levá-las a tribunal e ameaçá-las com a prisão. Por isso, o sim vai sair vencedor com uma larga maioria”, acrescentou Helena Pinto, que esteve no congresso em representação da direcção do BE.
Por sua vez, o secretário-geral do CDS, Martim Borges de Freitas, prometeu que o seu partido vai estar mobilizado “para o não ao aborto”. E acrescentou: “Apelo para que todos os portugueses votem contra o sim ao aborto”, lamentando que este tema tenha sido abordado durante o congresso socialista.
Quanto à reforma da segurança social, o secretário-geral do CDS lamentou que o PS não siga o “exemplo de muitos partidos socialistas da Europa”, que já avançaram com propostas semelhantes às defendidas em Portugal pelo PP.
PCP enfatiza problemas com a pobreza
Por seu lado, Dias Coelho, da Comissão Política do Comité Central do PCP, considerou que o PS “insiste em prosseguir com políticas que criaram dois milhões de pobres e meio milhão de desempregados”.
“Acho que é um sofisma chamar esquerda” à ideologia do Governo e do primeiro-ministro, que “quer ser um mágico para transformar a ficção em realidade” e ignorar as “manifestações de rua contra o Governo”, disse ainda o dirigente comunista.


