O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Manuel Pizarro, atribuiu hoje à falta de médicos de família o tempo que alguns doentes têm de esperar por uma consulta nos centros de saúde.
Manuel Pizarro comentava à agência Lusa um estudo da revista DECO Proteste, segundo o qual quatro em cada dez pacientes aguardam pelo menos um mês por uma consulta com o médico de família.
"A situação piorou face ao último estudo da associação em 2004", sendo que "a longa espera atinge agora mais seis por cento de utentes", adianta a associação de defesa dos direitos dos consumidores, que inquiriu 4.300 utentes dos serviços de saúde.
Para Manuel Pizarro, o estudo demonstra duas realidades: “Por um lado, que tem havido uma inequívoca melhoria”, com os portugueses a manifestarem-se mais satisfeitos com o acesso aos centros de saúde, e, por outro, evidencia que “ainda há problemas por resolver em termos de acesso e em termos de tempo de espera”.
“Esses problemas têm uma razão de ser principal, que é a falta relativa de médicos que existem em Portugal, sobretudo de médicos de família”, sublinhou.
Manuel Pizarro lembrou “três medidas estruturais” para ultrapassar esta situação: aumento do número de alunos que entram para as faculdades de Medicina e do número de vagas no internato médico para clínicos gerais e a criação do curso de Medicina na Universidade do Algarve, uma das regiões do país com mais carência de médicos.
Em 2005 entraram cerca de mil alunos para as faculdades de Medicina e este ano lectivo 1658. “Este aumento é muito importante porque nós precisamos de mais médicos”, frisou.
O aumento do número de médicos na especialidade de medicina geral e familiar também “é essencial para o acesso dos portugueses aos centros de saúde”, adiantou.
No entanto, admitiu, “enquanto estas medidas estruturais não fazem efeito vamos continuar a ter dificuldades”.
“A nossa expectativa é que, com a criação de novas Unidades de Saúde Familiar (USF), os portugueses tenham melhor acesso aos cuidados de saúde primários”, frisou.
Actualmente há 207 USF em funcionamento, que assistem cerca de 2,6 milhões de portugueses, lembrou, adiantando que estas unidades de saúde permitiram que 300 mil portugueses, que não tinham médico de família, passassem a ter.
“As USF têm um padrão que, em caso de doença aguda, o cidadão tem garantia de ter consulta no próprio dia e isso muda tudo na relação dos cidadãos com os cuidados de saúde primários. É esse padrão que nós queremos generalizar a todo o país”, acrescentou.
O estudo da DECO conclui também que "os portugueses estão mais satisfeitos com os centros de saúde do que em 2004, mas ainda esperam muito pelas consultas", sendo as regiões Norte e do Algarve as mais afectadas pela demora.
Para Manuel Pizarro, “é muito importante que haja estudos como estes sobre como funciona o Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.
“É nossa ambição colocar o Serviço Nacional de Saúde ao serviço das pessoas e é importante para nós conhecer qual é o sentimento dos cidadãos sobre o que se passa no SNS”, rematou.


