Secreta espanhola esteve em Portugal por suspeitar de presença da ETA

08.02.2010 - 09:20 Por Lusa, PÚBLICO
Operacionais do Centro Nacional de Inteligência, a secreta espanhola, estiveram em território português à procura do grupo terrorista ETA mas não terão informado o SIS (Serviço de Informações e Segurança), avança hoje o “Diário de Notícias”.
O jornal falou com fontes policiais, segundo as quais nos serviços de informações da GNR já tinha circulado a informação de que a secreta espanhola estaria em Portugal, provavelmente à procura de ligações da ETA. No entanto, a informação “nunca foi valorizada”, diz a fonte ouvida pelo “Diário de Notícias”, jornal que lembra que o próprio ministro da Administração Interna, Rui Pereira, afirmou não existirem bases da ETA em Portugal quando, em Janeiro, foram detidos dois etarras em Torre de Moncorvo.
As suspeitas de que a organização tivesse intenções de se estabelecer em Portugal já são de 2007, quando a ETA utilizou um carro português num atentado. Na altura, lembra o DN, Rui Pereira e o ministro do Interior espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba, acordaram colaborar para apurar as ligações da ETA a Portugal. Mas a intenção não foi posta em prática. O DN apurou que a secreta portuguesa não tinha sequer em cima da mesa nenhum indício concreto da presença da organização em território português.
Ontem, os ministérios portugueses da Justiça e da Administração Interna anunciaram que vão continuar a esforçar-se para combater em Portugal actividades ligadas a práticas terroristas, sem fazer qualquer referência à ETA.
Na passada sexta-feira, a GNR detectou uma moradia, em Óbidos, onde estavam armazenados vários quilos de material explosivo e que, alegadamente, tinha sido alugada a membros da ETA. Num comunicado difundido ontem, os Ministérios da Administração Interna e da Justiça cifram em cerca de 800 quilos as quantidades de explosivos encontrados: 500 quilos de nitrato de amónio e “engenhos explosivos perfazendo um peso total de 300 quilos”.
Em contrapartida o Ministério do Interior espanhol tinha no sábado referido em comunicado 1500 quilos de explosivos. Fonte do Ministério do Interior espanhol explicou que Portugal apenas contabilizou “o material que estava misturado e pronto a utilizar”, enquanto Espanha “teve em conta todo o material que serve para fabricar explosivo”.
A mesma fonte recordou que o comunicado difundido ontem em Lisboa apenas se refere a uma substância concreta, nitrato de amónio, mas refere também ter sido encontrado “material diverso, passível de ser utilizado na construção de engenhos explosivos”. Nesse material, sublinha Espanha, encontram-se substâncias como o pó de alumínio a pentrita, ácido sulfúrico e nitrato de potássio, que a ETA usa na elaboração dos seus explosivo.
Somando esse outro material ao referido pelas autoridades portuguesas chega-se a um total de 1500 quilos.

