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Imunoalergologia

Seca está a fazer aumentar alergias e problemas respiratórios

30.07.2005 - 10:11 Por Catarina Gomes, , (PÚBLICO)

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O tempo seco pode conduzir a primeiras crises de asma ou rinite alérgica O tempo seco pode conduzir a primeiras crises de asma ou rinite alérgica (DR)
O tempo seco está a conduzir ao agravamento de problemas respiratórios e alérgicos, referem médicos contactados pelo PÚBLICO. A Direcção-Geral da Saúde (DGS) alertou já para o facto de uma maior concentração de poluentes na atmosfera decorrente da época de seca poder ocasionar "um risco acrescido" destas situações.

A directora do serviço de imunoalergologia do Hospital de São João, no Porto, Maria Graça Castel Branco, afirma que o período de seca está a fazer aumentar a ocorrência de problemas respiratórios e alérgicos. Na "consulta de permanência" da especialidade, que mantêm diariamente na unidade hospitalar nortenha, houve uma duplicação de casos nos últimos dois meses. Costumavam ser uma média de cinco a doentes por dia, agora são o dobro, refere. Ao mesmo tempo, a frequência dos pedidos de intervenção da imunoalergologia às urgências gerais "mais do que duplicou", comenta.

Mais crises alérgicas e pequenas queixas

Tal é também notório com os doentes que já sofrem destes problemas e que em vez de virem às consultas programadas, que costumam ser de três em três meses, começaram a vir de mês a mês, junta a especialista. "As chuvas têm um efeito protector, de limpeza da atmosfera." Sendo escassa, é natural que as pessoas que "já passam mal nesta época, agora passem pior", nota.

O pneumologista do centro hospitalar de Torres Vedras António Domingos afirma que com a diminuição da humidade relativa do ar "há uma exacerbação das queixas respiratórias". Ao mesmo tempo, o tempo seco leva ao aumento da concentração de pólen de plantas no ar, o que desencadeia crises nos doentes alérgicos e pode mesmo conduzir a primeiras crises de asma ou rinite alérgica, refere.

"Houve um atraso nas queixas das alergias de Primavera", refere, por seu lado, Palma Carlos, professor catedrático de medicina interna e alergologia na Faculdade de Medicina de Lisboa. Nota na sua prática privada "um pequeno surto de queixas respiratórias, não graves mas incómodas", como é o caso dos espirros, da tosse e da expectoração, enuncia. Mas são as pessoas que já sofrem de doenças respiratórias que apresentam mais queixas, junta.

Incêndios prejudicam qualidade do ar

O coordenador da Linha de Saúde Pública (808211311), Sérgio Gomes, afirma que, num universo de 120 chamadas diárias, uma média de 20 prendem-se com problemas de saúde relacionados com a seca e o calor. A maioria são de doentes crónicos que já sofrem de problemas respiratórios, como é o caso da doença obstrutiva crónica e dos asmáticos. Noutras situações são pessoas a pedir conselhos quando estão perto de incêndios. Nestes casos, os técnicos aconselham, por exemplo, as pessoas a permanecer em casa e a fechar as persianas.

Um dos factores que também contribui para o acréscimo de problemas do foro respiratório são mesmo os incêndios, enuncia a DGS. De entre os poluentes emitidos pelos fogos destacam-se o dióxido de enxofre e o monóxido de carbono, que "podem agravar sintomas respiratórios e trazem o aumento do risco de doenças respiratórias e uma redução da função pulmonar", mas também causar problemas oculares e dermatológicos, enuncia a circular informativa da DGS, intitulada Seca: Medidas de actuação e recomendações à população, que pode ser consultada em www.dgsaude.pt.

Pedro Mata, alergologista do British Hospital, em Lisboa, afirma que o calor provoca maior concentração de poluentes na atmosfera e estes "provocam hiperactividade respiratória".

A quantidade da área e as populações afectadas pelas complicações de saúde ligadas aos incêndios dependem de factores meteorológicos, que vão desde as temperaturas à direcção e intensidade do vento.

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