A experiência de Inês Rosendo, responsável pela consulta de cessação tabágica no Centro de Saúde de Eiras, Coimbra, diz-lhe que a saúde é o principal motivo que leva as pessoas a deixar de fumar.
"Falam nas razões económicas e na lei, mas não são os motivos principais, é a saúde", frisa a médica, que já recebeu 20 pessoas desde que as consultas começaram a funcionar, há cerca de seis meses.
O presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), António Segorbe Luís, chama a atenção para o aumento do "número de unidades de saúde com consultas de cessação tabágica": "É um dado muito positivo, quer dizer que há procura", diz. Porém, o médico acredita que o dinheiro pesa na decisão de abandonar o tabaco: "Está demonstrado na experiência internacional: quando há um aumento significativo do preço do tabaco, há cinco a oito por cento de abandonos tabágicos", defende.
Já em relação à Lei do Tabaco, considera que "trouxe uma melhoria significativa da qualidade do ar nos ambientes fechados" e que terá levado entre 7,5 e 10 por cento de fumadores a deixar o vício. Mas o aumento do preço do tabaco tem "outra vantagem": "Se o Governo aumentasse significativamente o preço do tabaco, ficava com a responsabilidade moral de investir mais na saúde, particularmente nas doenças causadas pelo tabaco, o que faz de forma limitada. O tabaco dá uns milhares largos ao Estado e a parte que é investida na saúde ainda é muito pequena e significativamente distante de outros países da Europa", argumenta, lembrando que a SPP vai celebrar em conjunto o Dia do Não-Fumador e o Dia da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC). M.J.L.


