Saramago acusa Bento XVI de “cinismo” e diz que a Igreja é “reaccionária”

14.10.2009 - 20:14 Por Lusa

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Saramago acusou a Igreja de ser reaccionária Saramago acusou a Igreja de ser reaccionária (Nuno F Santos (arquivo))
O escritor José Saramago acusou hoje o papa Bento XVI de “cinismo” e defendeu que à “insolência reaccionária” da Igreja há que responder com a “insolência da inteligência viva”.

“Que Ratzinger tenha a coragem de invocar Deus para reforçar o seu neo-medievalismo universal, um Deus que jamais viu, com o qual nunca se sentou a tomar um café, demonstra apenas o absoluto cinismo intelectual da personagem”, disse Saramago em Roma, durante um colóquio com o filósofo italiano Paolo Flores D’Arcais, noticiou hoje o jornal italiano Il Fatto Quotidiano.

O Prémio Nobel da Literatura 1998 encontra-se hoje na capital italiana para apresentar o livro “O Caderno”, em que estão compilados textos que escreveu entre Setembro de 2008 e Março deste ano no seu blogue, e reunir-se com amigos italianos, como a Prémio Nobel da Medicina 1986, Rita Levi Montalcini.

Na conversa que manteve com Flores D’Arcais, Saramago assegurou que é um “ateu tranquilo”, mas que agora está a mudar de ideias.

“Às insolências reaccionárias da Igreja Católica há que responder com a insolência da inteligência viva, no bom sentido, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias pelos presumíveis representantes de Deus na terra, a quem na realidade só interessa o poder”, afirmou.

Segundo Saramago, interessa pouco à Igreja o destino das almas e o que sempre procurou é o controlo dos seus corpos.

“A razão - acrescentou - pode ser uma moral. Usemo-la”.

Inquirido sobre se a ausência de empenhamento de escritores e intelectuais pode ser uma das causas da crise da democracia, o escritor disse que sim, mas que não só, já que toda a sociedade está nessas condições e isso leva a uma crise de autoridade, da família, dos costumes, uma crise moral em geral.

Saramago advertiu para o crescimento do "fascismo” na Europa e mostrou-se convencido de que nos próximos anos “atacará com força”.

Por isso - sublinhou -, “temos de preparar-nos para enfrentar o ódio e a sede de vingança que os fascistas estão a alimentar”.

“Apesar de ser claro que se apresentarão com máscaras pseudo-democráticas, algumas das quais circulam já entre nós, não devemos deixar-nos enganar”, frisou.

Antes de Roma, Saramago esteve em Milão, Turim, Alba e Pontedera, onde se encontrou com os seus leitores e criticou o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.

Em declarações ao diário ex-comunista L’Unità, o escritor disse que Berlusconi é a “doença do país” e hoje, na conversa com Flores D’Arcais afirmou que o que mais caracteriza a esquerda, no plano internacional, é a “falta de ideias”.

A direita, de acordo com Saramago, não precisa de ideias para governar e isso vê-se em Berlusconi, “que não tem nenhuma”, mas a esquerda, “se não tem ideias, não tem nada que oferecer aos cidadãos”.

A visita de Saramago a Roma ocorre dias antes do lançamento do seu mais recente romance, “Caim”, em que o escritor se ocupa novamente da religião e que será simultaneamente editado em português (de Portugal e do Brasil), espanhol e catalão.

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Saramago é um homem lúcido e infelizmente, como Jesus há dois milênios e ainda hoje, é mal ...

Fernando

15.10.2009 08:02

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