São João da Madeira cria comissão para acompanhar eventual fecho da urgência

16.10.2006 - 09:37 Por Sara Dias Oliveira, (PÚBLICO)
Depois de, no final da passada semana, a Assembleia Municipal (AM) de São João da Madeira ter decidido criar uma comissão para acompanhar "detalhadamente" o eventual encerramento das Urgências do hospital local, o presidente da câmara, Castro Almeida, reúne-se hoje com os especialistas responsáveis pelo estudo que sustenta a decisão para debater soluções alternativas.
O órgão de acompanhamento local do processo é constituído pelo presidente da AM - que é simultaneamente presidente do conselho de administração do hospital da cidade - e por um representante de cada partido político. A estrutura terá a tarefa de, até ao final do mês, "preparar um projecto de resolução" que será devidamente submetido à apreciação da AM são-joanense.
A proposta, votada por unanimidade por todos os partidos políticos, vai também no sentido de "participar activamente no processo de discussão aberto pelo Ministério da Saúde", uma vez que os elementos da AM dizem-se preocupados com o "teor das conclusões do relatório que recomenda a extinção do Serviço de Urgência" da unidade hospitalar.
Entretanto, a Câmara de São João da Madeira já encomendou um outro estudo a uma equipa técnica independente, constituída por consultores na área da saúde, para avaliar se o fecho das Urgências locais se justifica, tendo por base o relatório da comissão técnica de apoio ao processo de requalificação das Urgências, apresentado pelo Governo.
O presidente da autarquia, o social-democrata Castro Almeida, deverá, aliás, usar as conclusões preliminares do relatório, encomendado à estrutura independente, durante a reunião de hoje, em Coimbra, com os responsáveis pela comissão constituída pelo Governo. Marcado também para hoje está um outro encontro do executivo municipal com uma delegação de deputados da Assembleia da República, eleitos pelo círculo de Aveiro, para uma visita ao hospital são-joanense.
Todas estas movimentações se intensificaram no início do mês, quando foi divulgada a lista dos Serviços de Urgência que o Governo pretende encerrar. Na altura, Castro Almeida rotulou a intenção da tutela como "um erro muito grave", defendendo que "o relatório parte de um pressuposto errado". "Para o doente, não é a distância a que está do hospital que interessa, mas sim o tempo que demora até ser atendido por um médico", argumenta.
"Se o objectivo é apenas poupar dinheiro, o relatório vai no caminho certo. Se é para servir melhor as populações, então o relatório segue ao contrário do que devia", concluiu o autarca, alegando que a medida "iria entupir as Urgências" e piorar o serviço prestado aos utentes.

