Santarém lança concurso nacional de malas “sustentáveis” feitas a partir de retalhos

03.01.2011 - 16:28 Por Helena Geraldes
Os desperdícios das linhas de produção de fábricas de todo o país podem ir parar às mãos de cidadãos comuns que os transformam em produtos novos. O concurso nacional que a Câmara de Santarém lançou para criar malas “sustentáveis”, feitas a partir de retalhos e de tecidos reutilizados, já tem 15 inscritos.
Têm entre os 18 e os 75 anos de idade os inscritos no concurso “Ideias do Antigamente Fazem a Diferença no Ambiente” que termina a 7 de Janeiro. Para ajudar, a autarquia fornece um quilo de tecidos para serem reutilizados.
O desafio, lançado a 9 de Dezembro, é criar malas ou sacos a partir de retalhos, com o formato de um peixe criticamente ameaçado de extinção no rio Alviela, a boga-portuguesa (Chondrostoma lusitanicum), ou de um carneiro, alertando para a protecção da Biodiversidade.
“Queremos alertar para um consumo mais sustentável e para a importância de valorização dos produtos locais”, explicou ao PÚBLICO Maria João Cardoso, chefe da Divisão de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (DADS) da Câmara Municipal de Santarém. “Cada participante assume o compromisso de utilizar na concepção da peça retalhos e produtos reutilizados.”
A ideia é uma parceria com o Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing (IADE), de Lisboa, que irá avaliar a qualidade das peças a concurso. “Consideramos que podemos passar a ver a moda de forma mais sustentável”, acrescentou. “É importante olharmos para as nossas coisas e perceber que novos usos lhes podemos dar, evitando também a produção de resíduos”, acrescentou Maria João Cardoso.
“Queremos mostrar de que forma os nossos actos individuais podem fazer diferença nos modelos de desenvolvimento e na qualidade de vida. Por exemplo, uma participante com 75 anos foi até à Casa do Ambiente e explicámos-lhe o problema dos peixes no Alviela e da biodiversidade em geral. Talvez tenha sido a primeira vez que ouviu falar sobre biodiversidade mas a mensagem passou”, contou a responsável.
Além disso, o concurso pretende ajudar “a promover uma economia sustentável e inclusiva”, dado que muitas das participantes provêm de “uma classe muito desfavorecida”.
Os trabalhos, que podem ser entregues até 31 de Janeiro, serão expostos na Casa do Ambiente de Santarém e o vencedor pode escolher entre um curso de fotografia no IADE ou por um fim-de-semana num hotel em Portugal.

