• "O que há de novo no amor?": este filme é um milagre
  • Passo-a-passo para preparar um rolo de sushi
  • A nova padaria francesa da baixa lisboeta

Seis doentes cegaram temporariamente

Santa Maria: Inspecção-Geral está a dar "prioridade máxima" à investigação

23.07.2009 - 15:32 Por Lusa, PÚBLICO

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
A Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) está a investigar com "prioridade máxima" o caso dos doentes que desenvolveram reacções adversas graves com perda de visão no Hospital Santa Maria, instituição que hoje foi visitada por uma equipa deste organismo.

De acordo com fonte da IGAS, o inquérito foi aberto na terça-feira e está a ter "prioridade máxima", embora só deva estar concluído quando forem obtidas as provas documentais, testemunhais e periciais necessárias. Hoje mesmo uma equipa de inspectores esteve nas instalações do Hospital de Santa Maria, Lisboa, a recolher dados.

A investigação da IGAS levará ainda em conta pareceres técnicos, nomeadamente da autoridade que regula o sector do medicamento em Portugal (Infarmed). Uma das razões que levou a IGAS a dar "prioridade máxima" a este processo prende-se com o facto de poder estar em causa a confiança dos doentes num hospital como o de Santa Maria, o maior do país.

Colégio de Oftalmologia quer posição oficial

O presidente do Colégio de Oftalmologia da Ordem dos Médicos considerou hoje urgente que as autoridades determinem se os médicos devem continuar a usar em oftalmologia o medicamento alegadamente responsável pela cegueira dos seis doentes.

Florindo Esperancinha, afirmou ter tido conhecimento da carta da Roche em Março/Abril deste ano através de colegas. "Só hoje tive acesso à carta e aquilo que a carta diz é que no Canadá houve 25 casos de notificações ligeiras, espontâneas de acontecimentos diversos com um lote muito bem identificado do produto", adiantou, referindo que a missiva diz ainda que "eventualmente poderia estar associado à contaminação do produto".

Florindo Esperancinha frisou que se fazem há muito tempo "milhões de injecções de bevacizumab para tratar a retinopatia diabética e em nenhum caso o medicamento está aprovado para aplicação específica para esta patologia". "Estamos aqui a falar de um conceito 'off-label', que é a utilização de um medicamento aprovado pelo Infarmed para determinada patologia, mas que é usado para outra circunstância", contou.

O responsável adiantou que em oftalmologia o "off-label" é utilizado em várias situações. "Qualquer injecção dentro do olho, seja de que produto for, é 'off-label'", afirmou. Florindo Esperancinha adiantou que no caso dos doentes do Hospital de Santa Maria, e se se confirmar que é uma infecção, "os pacientes têm de ser tratados com antibióticos dentro do olho", tal como foi feito com o bevacizumab.

"Essas injecções dentro do olho não estão aprovadas para tratar o doente, mas são usadas diariamente em todos os hospitais do país e do mundo", disse. O médico considerou que as autoridades competentes (Infarmed e Ministério da Saúde) "têm de dizer aos médicos se estes continuam a usar o conceito, não só para esta substância, mas para todas as outras". E diz que se o produto não puder ser usado, os doentes vão ser prejudicados e defendeu a utilização do bevacizumab no tratamento da retinopatia diabética.

"Estamos a falar de milhões de doentes que beneficiaram já com este tratamento. Há uma situação que tem de ser esclarecida no Hospital de Santa Maria, mas temos de lembrar que a situação no Canadá diz apenas respeito a um lote específico", concluiu.

Estatísticas

  • 510 leitores
  • 1 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1393004

Comentário + votado

...muita coincidência...

Se não resultou da técnica cirúrgica, investiguem os solutos usados ou algo que foi usado em comum. ...

Anónimo

23.07.2009 19:29

X

Mais em Sociedade (14 de 18 artigos)

Os especialistas são unânimes: é uma ideia irresponsável e perigosa Festas da gripe são uma má ideia, dizem especialistas