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Reacção

Santa Maria: doentes que cegaram recebem com reserva comissão de acompanhamento

26.08.2009 - 14:53 Por Lusa

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A comissão irá solicitar os relatórios clínicos de avaliação social, perícias médico-legais e demais elementos A comissão irá solicitar os relatórios clínicos de avaliação social, perícias médico-legais e demais elementos (Paulo Pimenta (arquivo))
Os doentes que perderam a visão após uma intervenção cirúrgica no Hospital de Santa Maria receberam com reservas o anúncio da criação de uma comissão de acompanhamento do caso, realçando que a maior "indemnização" seria voltarem a ver.

O Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN) anunciou ontem a constituição de uma comissão de acompanhamento para avaliar os "eventuais danos e respectivo ressarcimento" dos seis doentes que perderam a visão numa intervenção oftalmológica ocorrida a 17 de Julho.

Américo Palhota, que permanece internado no hospital, contou hoje que foi informado ontem sobre a criação da comissão através de uma assistente social do hospital. Sobre um eventual acordo de indemnização pelos danos causados, o doente diz que "os olhos não têm preço" e frisa: "Nem sequer estou a pensar nisso." "Se eu começasse a ver não queria indemnização nenhuma", garante. "Entrei neste hospital a ver. Era para ser só um dia e estou aqui preso há 36 dias sem ver a família, a apanhar injecções. Tenho sofrido bastante", lamenta.

Américo Palhota atribui a perda da visão de um olho a uma "injecção estragada", que não era Avastin [nome comercial da substância activa Bevacizumab), mas "um produto oncológico não oftalmológico". Agora, "só um grande milagre é que nos pode ajudar", desabafa o doente, que continua sem ver nada, "nem um vulto", e aguarda agora o que a comissão vai propor.

Já Walter Bom, que perdeu a visão dos dois olhos e também permanece internado no Santa Maria, apesar de as dores e as infecções terem diminuído, questiona: "Será que já não há retoma e estão a dar o caso como perdido para falarem já das indemnizações?" "O que nós queríamos era que nos tratassem para recuperar a visão, que é o mais importante neste momento", sublinha, avançando que irá falar com os médicos para saber "como está a situação e saber se existe o plano B anunciado pela ministra da Saúde", que previa que pudessem "ser tratados noutros lados".

Notícia chegou pela comunicação social

Tal como para Américo Palhota, a "maior recompensa" para Walter Bom era "voltar a ver". "Ficar num situação destas com 47 anos é muito triste", lamenta. António José, marido da doente Maria Antónia, tomou conhecimento da comissão de acompanhamento através da comunicação social. "Eles podem vir com indemnizações, com aquilo que vierem, mas nada, nem dinheiro nenhum, compensa a perda da vista das pessoas", disse.

O marido da doente salientou que só aceita ouvir a comissão em conjunto com os outros doentes e familiares e que a sua resposta dependerá da proposta que fizerem. "Se não valer a pena iremos para tribunal", garante. Sobre o estado de saúde de Maria Antónia, contou que "está praticamente na mesma, continua sem ver".

Maria das Dores, 53 anos, também ainda não foi contactada pelo hospital. "Amanhã vou a uma consulta e devem informar-me da tal comissão", disse. Ao contrário dos outros doentes, Maria das Dores tem vindo a registar pequenas melhorias na visão. "Quando saí do hospital já não tinha esperança, mas há dois dias estou mais confiante porque estou a ver as coisas mais claras", conta a doente, atribuindo as melhoras ao anti-inflamatório aconselhado pelo médico canadiano Miguel Burnier.

A comissão de acompanhamento irá solicitar os relatórios clínicos de avaliação social, perícias médico-legais e demais elementos necessários à instrução integral do processo de avaliação dos eventuais danos e respectivo ressarcimento.

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Comentário + votado

S. Maria

Se Portugal fosse um país normal, com isto que aconteceu neste hospital, há muito que alguém já ...

Mário

27.08.2009 08:10

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