O ex-militar da GNR acusado da morte de três jovens de Santa Comba Dão reafirmou esta tarde a sua inocência, na última sessão do julgamento antes da leitura da sentença, marcada para 31 de Julho.
“Quero dizer que não retiro uma palavra àquilo que disse e que me considero inocente", afirmou António Costa, no final das alegações finais das duas partes.
O arguido, que invocou sempre a sua inocência ao longo do julgamento, a decorrer no Tribunal da Figueira da Foz, pediu para falar ainda durante as alegações finais dos advogados das famílias das vítimas.
Após a intervenção final da defesa, durante a qual se mostrou emocionado, António Costa esteve reunido durante breves minutos com a advogada, antes de proferir a breve declaração com que terminou o julgamento.
Na sua intervenção, Carla Bettencourt disse que "os direitos do arguido foram postos em causa", na medida em que desde do início o ex-militar da GNR foi "tratado como culpado, 'serial killer' e psicopata".
A advogada argumentou ainda não ter sido estabelecido "um nexo de causalidade entre o arguido e os crimes" e, sem pedir a absolvição do ex-militar, concluiu dizendo: "vossas excelências dirão de sua justiça".
Antes, tanto o Ministério Público como os advogados das famílias pediram 25 anos de prisão para o arguido. Pena máxima "porque não pode ser mais, devia ser mais" pediu hoje o procurador Jorge Leitão, depois de exames médico-legais terem dado o réu como imputável.
António Costa, 53 anos, responde por dez crimes, três de homicídio qualificado, três de ocultação e um de profanação de cadáver, dois de coacção sexual na forma tentada e um de denúncia caluniosa.


