O ex-presidente da República Jorge Sampaio mostrou-se ontem preocupado com a crise alimentar e com as suas consequências para o combate à tuberculose. Recusando "palavras pessimistas", o enviado especial das Nações Unidas para a luta contra a tuberculose manifestou "extrema preocupação" quanto à crise alimentar, uma situação "tão súbita" e que justifica uma acção global dos Estados para resolver a situação.
Jorge Sampaio, que é também o Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, falava aos jornalistas no final de uma audiência com os deputados da comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros. "Tudo isto tem que ser jogado com uma aposta séria no multilateralismo. Não vale a pena pensar que o país A ou o país B vai resolver os problemas. Temos que ter um entendimento global sobre esta matéria", afirmou. "Ou damos uma volta a isto globalmente ou então vamos ter muitas dificuldades", acrescentou, destacando os "alertas sucessivos" do secretário-geral da ONU e de várias organizações internacionais sobre a alta dos preços e a crise alimentar.
Na exposição que fez aos deputados, Sampaio alertou que a crise alimentar "terá consequências gravíssimas no plano da luta contra a tuberculose", frisando que a subnutrição é considerada uma das principais causas desta pandemia, responsável por um terço dos casos". O enviado especial da ONU apelou aos deputados que inscrevam o tema da luta contra a tuberculose na agenda e que, no âmbito da CPLP (Comunidade dos Países Língua Portuguesa), "insistam na cooperação na área da saúde pública, do desenvolvimento dos sistemas de saúde e da luta contra as pandemias".
Sampaio apelou, ainda, a que os deputados promovam um encontro regional "ou até mundial de parlamentares em torno das questões do diálogo intercultural", no âmbito da realização em Portugal de um dos próximos Fóruns da Aliança para as Civilizações.
Presidentes da América Central e Caraíbas discutem fundo
Os presidentes da América Central, dos países da ALBA (Alternativa Bolivariana das Américas) e das Caraíbas discutem hoje, em Manágua, a criação de um fundo de 600 milhões de dólares para fazer frente à crise alimentar.
O ministro para a Agro-pecuária e Florestas (MAGFOR) nicaraguense, Ariel Bucardo, disse ontem numa conferência de imprensa com correspondentes estrangeiros que para a enfrentar a crise agrícola a América Central necessita, a curto prazo, de "um pouco mais de 600 milhões de dólares", e de uma verba, que não precisou, para médio e curto prazo.
A crise alimentar é um fenómeno de âmbito mundial caracterizado pelo aumento de preços e a escassez dos bens de primeira necessidade. Bucardo explicou que esses fundos, a serem aprovados, serão utilizados especificamente para promover maior produção de arroz, feijão, milho, sorgo e leite, e evitar a carestia e a escassez desses produtos de primeira necessidade.
Para a execução desse programa, existe já um fundo com um capital inicial de 100 milhões de dólares que foi oferecido pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez. Os restantes fundos, acrescentou a fonte, serão atribuídos por cada país do Sistema da Integração Centro-americana (SICA), admitindo Bucardo que outras nações possam vir a aderir.
Até agora confirmaram a presença nesta cimeira os presidentes Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador), Elías Antonio Saca (El Salvador), Óscar Arias (Costa Rica), Manuel Zelaya (Honduras) e Hugo Chávez (Venezuela). Também participarão o vice-presidente de Cuba, Esteban Lazo, o chefe da diplomacia guatemalteco, Haroldo Rodas, e altos representantes de Belize, Haiti, México, República Dominicana e Panamá.
A cimeira presidencial de um dia deverá aprovar um plano de acção para aumentar a produção de cereais básicos na América Central para que a zona seja auto-sustentável e tenha capacidade para exportar e abastecer outras regiões. No encontro será também abordado o tema dos biocombustíveis e o seu impacto na segurança alimentar.
Segundo o ministro, a produção de biocombustíveis encareceu produtos como o sorgo, o milho, os alimentos enriquecidos para animais e, indirectamente, produtos avícolas.


