Sala de audiência fechada ao público e a "Ghob" para ouvir testemunhas

18.01.2012 - 09:18 Por Lusa, PÚBLICO
Quatro testemunhas do julgamento de Francisco Leitão (ou "Ghob"), o homem acusado de quatro homicídios, vão ser ouvidas nesta quarta-feira no Tribunal de Torres Vedras na ausência do arguido e com a sala de audiência fechada ao público.
Quatro jovens que frequentavam a casa de Francisco Leitão, vulgarmente conhecido por "Ghob, o Rei dos Gnomos", sendo por isso conhecidos como os "gnomos", vão prestar declarações em tribunal na ausência do arguido e “com exclusão de publicidade”, estando a sala de audiências fechada aos jornalistas e ao público em geral.
O pedido foi feito pelas testemunhas e aceite pela presidente do colectivo de juízes, Maria Domingas, que na terça-feira fundamentou a decisão com base no “teor das declarações prestadas”, tendo em conta que os menores seriam drogados e, sob esse efeito, vítimas de abusos sexuais pelo arguido, segundo um outro inquérito em segredo de justiça no Tribunal da Lourinhã.
Os juízes decidiram também que o depoimento iria ser prestado na ausência do arguido, tendo em conta que a presença deste poderia “prejudicar a espontaneidade dos seus depoimentos”.
Defesa aponta para outros suspeitos
Nesta terça-feira, ao terceiro dia do julgamento de Francisco Leitão (sucateiro de Carqueja, Lourinhã), a defesa conseguiu afastar algumas suspeitas e reenviá-las para outras pessoas que não estão indiciadas.
Quando depôs a mãe de uma das alegadas vítimas – nunca nenhum corpo foi encontrado –, foram tornados públicos os maus-tratos que esta recebia do homem com quem estivera casada. Este poderia ter motivos para matar. A mãe contou em tribunal que a filha era vítima de constantes espancamentos por parte do ex-marido. A testemunha, lembrando o processo de separação, disse mesmo que o ex-genro ameaçara matar a jovem.
Mesmo com as acusações de alegados maus-tratos, voltaram a adensar-se novas suspeitas relativamente ao sucateiro. A mãe da jovem que terá sido assassinada por ter começado a namorar com um rapaz que já fora amante de Leitão revelou que a filha lhe dissera saber algo que poderia comprometer o arguido.
Durante a tarde de terça-feira foi ouvida uma outra testemunha, apontada como uma das melhores amigas da alegada quarta vítima. Esta jovem, que pediu para ser interrogada sem a presença do arguido, é apontada como uma das principais testemunhas. Terá estado em contacto com a vítima no dia do desaparecimento e sabia mesmo do teor de algumas das 182 mensagens que a jovem e o sucateiro haviam trocado.

