Sakellarides diz que Portugal passou de "misto de alerta e cepticismo" para comportamento activo

19.11.2009 - 15:19 Por Lusa
Portugal alterou nos últimos quatro meses a resposta à gripe A, passando de um “misto de alerta e cepticismo” para um comportamento mais activo da sociedade contra a pandemia, segundo o director da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP).
“A partir de princípios de Julho, observou-se em Portugal uma alteração significativa na resposta social à gripe pandémica, tendo-se passado de um misto de alerta e cepticismo para uma considerável activação da sociedade quanto à necessidade de uma melhor preparação em face deste problema de saúde pública”, afirma Constantino Sakellarides, director da ENSP, no livro “Nós e a Gripe”, que será lançado hoje, em Lisboa.
Sakellarides exemplifica com as iniciativas tomadas por associações empresariais, desportivas, sindicatos, empresas, partidos políticos, escolas e associações de pais, entre outros, para colaborar e “preparar da melhor forma possível o futuro próximo”.
No entanto, há grandes empresas relativamente bem preparadas e muitas pequenas empresas que têm experimentado mais dificuldades em se preparar convenientemente contra a gripe A (H1N1).
No livro, Sakallarides lembra que “é a primeira vez na história da saúde que a gripe pandémica tem tratamento”.
“Se este facto não tem importância para a grande maioria dos casos, em que a doença evolui para a cura sem complicações, não necessitando de medicação específica, o mesmo não se poder dizer para cerca de dois por cento dos doentes com gripe que necessitam de hospitalização”, sublinha.
Para este doentes, a medicação antiviral específica é uma arma terapêutica importante, que nenhum serviço hospitalar dispensa.
Estima-se que durante uma onda pandémica serão hospitalizados cerca de dois por cento dos casos. Destes, pelo menos cerca de 20 por cento irão necessitar de cuidados intensivos.
Isto quer dizer que, por cada 100 mil casos, serão internadas duas mil pessoas e, destas, pelo menos 400 necessitarão de cuidados intensivos.
“Durante uma onda pandémica que, em termos nacionais, pode durar de oito a 12 semanas, estes números poderão rapidamente multiplicar-se por 10 ou mais”, salienta Constantino Sakellarides.
A complicação mais grave desta gripe pandémica tem sido uma pneumonia vírica, por vezes bilateral, uma situação grave, clinicamente séria, resultando muitas vezes numa estadia prolongada nos serviços de cuidados intensivos.
Na segunda quinzena de Outubro, o "New England Journal of Medicine" publicou um trabalho que confirma que as idades com mais elevado risco de necessitarem de cuidados intensivos são as crianças com menos de um ano e as pessoas entre 25 e 64 anos.
Segundo o estudo, cerca de 32 por cento dos internados sofriam de doenças pulmonares crónicas, 28 por cento eram obesos e nove por cento eram grávidas. Cerca de 30 por cento dos internados não tinham patologia associada.
Para Sakellarides, o “grande desafio” dos cuidados de saúde numa pandemia é “diagnosticar e começar a tratar rapidamente as complicações graves da gripe”.

