O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, foi hoje ouvido no Palácio da Justiça na primeira sessão do julgamento do processo de alegada difamação interposto por Nuno Cardoso.
O processo foi motivado por declarações públicas de Rui Rio sobre o seu antecessor, Nuno Cardoso, a propósito da actuação deste na condução dos dossiers relativos ao projecto de construção na zona envolvente do Parque da Cidade, à venda do terreno nas traseiras da Casa da Música (propriedade da Adicais) e ao Plano de Pormenor das Antas.
Em declarações aos jornalistas, Rui Rio disse que reafirmou à juíza tudo o que tem dito sobre os três casos, só que "com mais cuidado com a linguagem para não ser sensacionalista".
Sobre o processo, o autarca considerou que Nuno Cardoso pretende obter mais visibilidade política, lembrando que a acção foi interposta numa altura em que não estava escolhido o candidato do PS à Câmara do Porto. "Nuno Cardoso é de todos os potenciais candidatos do PS à Câmara do Porto o que tinha mais visibilidade pública e mais intenções de voto. Não foi ele o escolhido, mas continua provavelmente a lutar por essa possibilidade", argumentou.
Nuno Cardoso considera que o teor das declarações proferidas por Rui Rio constituem "graves atentados ao seu direito ao bom-nome, honra e dignidade" pelo que "devem ser dirimidas em sede própria, ou seja, no tribunal".
Em declarações aos jornalistas, o ex-autarca disse esperar que os três casos sejam esclarecidos para "ver quem fala verdade, quem cumpriu com a legalidade e quem foi rigoroso nas gestão da coisa pública". "Desde que tomou posse [Rui Rio] teve duas preocupações, uma foi desonrar-me e outra foi evitar que eu estivesse na corrida eleitoral de Outubro", alegou Nuno Cardoso, acrescentando que "a segunda terá conseguido, mas a primeira não vai conseguir com certeza".
Cardoso só admite desistir do processo e chegar a acordo com Rui Rio "se houver retratação completa e plena" e se for "explicado à cidade porque é que há tanta reincidência na argumentação". "Não se pode deixar tudo isto no plano do combate político. A política tem regras e limites e o dr. Rui Rio há muito que os ultrapassou", disse.
O ex-presidente da Câmara do Porto pede uma indemnização de 37 mil euros, que serão entregues à associação de apoio aos sem-abrigo Coração da Cidade.
As próximas sessões dos julgamentos foram já marcadas para 23 de Junho, 6 de Julho, 26 e 27 de Setembro e 4 de Outubro.


