Em causa estava o fornecimento de medicamentos

Roche recua na nova política de pagamentos após garantias do Ministério da Saúde

02.12.2011 - 11:39 Por PÚBLICO, Lusa

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Em Outubro, a dívida dos hospitais só à indústria farmacêutica ultrapassava já os 1300 milhões de euros Em Outubro, a dívida dos hospitais só à indústria farmacêutica ultrapassava já os 1300 milhões de euros (Foto: Paula Abreu)
A Roche Farmacêutica anunciou nesta sexta-feira que suspendeu, para já, a nova política de pagamentos em cinco hospitais, depois de o Governo ter transmitido “a intenção de liquidar os montantes em dívida”, anunciou a farmacêutica.

“O Governo português transmitiu a intenção de liquidar os montantes em dívida, comprometendo-se a apresentar um plano de pagamentos, até ao final de Janeiro de 2012, e a ser cumprido neste mesmo ano”, lê-se no comunicado do laboratório

A 18 de Novembro, a Roche tinha anunciado que iria alterar a sua política de crédito a partir de Dezembro, junto de cinco hospitais portugueses com dívidas acumuladas há mais de 750 dias. Na altura, a empresa referiu que, nalguns casos, as dívidas acumuladas chegam aos 900 dias, “em claro incumprimento do prazo de pagamento de 60 dias, acordado por ambas as partes”.

A suspensão da nova política de pagamentos surgiu após contactos mantidos nos últimos dias com as autoridades de saúde, com as quais o diálogo tem decorrido de “forma construtiva e sempre orientado para a resolução desta questão”, recorda a farmacêutica. “A Roche congratula-se com a abertura das entidades governamentais no sentido de encontrar uma solução equilibrada para todos os intervenientes” e mostra-se “confiante” de que “serão criadas as condições necessárias para que médicos, profissionais de saúde e principalmente doentes continuem a beneficiar dos nossos medicamentos inovadores”.

No passado dia 24 de Novembro, o PÚBLICO já tinha avançado que os hospitais com dívidas estão a ser forçados a cumprir novas regras para continuarem a receber medicamentos dos laboratórios. Entre outras condições, as empresas farmacêuticas exigem que seja fixado um plano de pagamento a prestações da dívida ou só admitem fornecer uma nova remessa de medicamentos quando a factura anterior estiver saldada.

Um dia depois, veio a público a possibilidade de injectar dinheiro nos hospitais para resolver o problema. O Ministério da Saúde não confirmou a existência de negociações com a troika sobre uma possível injecção de dinheiro nos hospitais para estes saldarem a dívida que têm com fornecedores. Mas, em declarações ao PÚBLICO, fonte do Ministério da Saúde garantiu que o atraso dos hospitais nos pagamentos a fornecedores é um problema premente para a tutela e assumiu que a solução passe por consignar uma verba para este propósito.

O Ministério da Saúde não confirmou verbas nem prazos, mas reforçou que a dívida total a fornecedores atingirá “o valor incomportável” de 3000 milhões de euros no final do ano, pelo que o ministério de Paulo Macedo está ciente de que é necessária uma solução rápida para o problema. Em Outubro, a dívida dos hospitais só à indústria farmacêutica ultrapassava já os 1300 milhões de euros, com uma demora média de pagamento de 450 dias. As farmacêuticas já fizeram saber que no próximo ano só fornecem medicamentos a pronto pagamento.

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Não admira!

A Roche vai receber por junto o dinheirinho com aqueles juros que contabilizavam atrasos esperados ...

JJ

02.12.2011 14:34

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