O restauro da Igreja de S. Francisco, em Guimarães, permitiu "descobrir" no interior de uma imagem o que se pensa ser os restos mortais de S. Gualter, o padroeiro da Cidade-Berço.
“Para a população de Guimarães mas, sobretudo, para os católicos a descoberta das relíquias de S. Gualter, é um facto absolutamente extraordinário”, referiu Belmiro Jordão, Ministro da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco.
As ‘relíquias’ do santo foram retiradas hoje do interior de uma imagem de roca de S. Gualter.
“Os restos mortais estavam dissimulados no interior da imagem, envoltos em linho, e constituíam o miolo de uma imagem que se supunha ser oca”, disse o responsável pela Ordem.
Durante o restauro da igreja onde é venerado o padroeiro da cidade de Guimarães, foram sendo encontradas ‘pistas’, indicando o local onde se encontravam os ossos que se pensa pertencerem a Gualter, o monge franciscano que morreu em 1216.
“A igreja e algumas obras de arte sacra estão a ser restauradas conforme a capacidade financeira que a Ordem de S. Francisco tem para o fazer”, salientou ainda Belmiro Jordão.
As ‘pistas’ foram encontradas, ao longo dos anos, em actas do antigo mosteiro franciscano e em documentos existentes nos arquivos.
“A igreja foi construída no ano 1400 e em 1575, de acordo com documentos escritos, os frades mudaram de local os ossos do santo”, disse a mesma fonte.
Em 1800, foi pedida ordem ao Marquês de Pombal para colocar em exposição as relíquias do santo ‘protector’ da cidade de Guimarães.
Afinal, estavam à vista de todos
Os relatos existentes no arquivo da Venerável Ordem de S. Francisco referem que o pedido foi aceite e os “ossos foram, envoltos em linho, e expostos no altar”.
“Sabíamos que os ossos estavam num dos muitos altares da igreja mas pensávamos que estariam numa urna ou em algum cofre”, frisou Jordão.
As procuradas relíquias estavam, afinal, à vista de todos os que visitavam a igreja, no interior de uma imagem do santo exposta num altar lateral.
A imagem está datada do início do século XIX e foi construída em madeira de cedro do Líbano.
“Como a imagem é propriedade privada da Ordem Terceira de S. Francisco, vamos mandar realizar exames científicos para verificar a data aproximada dos ossos”, finalizou Belmiro Jordão.
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