Restaurantes chineses de Lisboa convidam autarcas e diplomatas para um jantar

23.06.2006 - 13:09 Por Lusa
Os proprietários de restaurantes chineses abertos em Lisboa vão promover na próxima terça-feira um jantar com autarcas da capital e diplomatas chineses com o objectivo de reabilitar a imagem dos seus estabelecimentos, que ficou abalada depois das inspecções sanitárias de Março.
O embaixador da República Popular da China, Ma Enhan, e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carmona Rodrigues, estão entre os convidados do jantar.
Segundo Man Hin Choi, da Associação de Comerciantes e Industriais Luso-Chinesa, a iniciativa pretende "fazer alguma coisa para o público ouvir a voz" dos proprietários de restaurantes chineses.
As dificuldades que os restaurantes chineses enfrentam em Portugal após a fiscalização das autoridades de segurança alimentar foram noticiadas esta quarta-feira pelo jornal oficial do Partido Comunista Chinês, o "Diário do Povo".
Desde as inspecções de 30 de Março, que encontraram irregularidades em 89 por cento dos restaurantes vistoriados e resultaram no encerramento de 14 estabelecimentos, os restaurantes chineses registam quebras "que chegam aos 50 por cento", disse aquele responsável.
"É uma pena ter chegado a este ponto", disse Man Hin Choi, argumentando que "alguns restaurantes não respeitam as regras a cem por cento, mas a comida chinesa continua a ser boa". O número de restaurantes chineses em Portugal, que chegou a exceder os mil, continua a descer: "Com a quebra de receitas, muitos não vão conseguir aguentar", disse.
O presidente e vice-presidente da Câmara de Lisboa, o embaixador e a consulesa da China estão entre as individualidades que aceitaram o convite para o jantar, que assinala a "preocupação" pelo destino da restauração chinesa em Portugal, afirmou Choi.
Aquando da inspecção da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, a embaixada da China em Portugal contestou a operação e a comunidade chinesa e a comissão portuguesa para a igualdade contra a discriminação racial acusaram a autoridade de potenciar a xenofobia e a estigmatização dos chineses.

