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Gripe A (H1N1)

Responsável do Conselho da Europa volta a pôr em causa gestão da pandemia feita pela OMS

25.01.2010 - 10:01 Por Catarina Gomes

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Só na Europa foram gastos 5 mil milhões de euros com as vacinas Só na Europa foram gastos 5 mil milhões de euros com as vacinas (Pedro Cunha)
Já não é a primeira vez que o presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Wolfand Wodarg, fala de uma “falsa pandemia” em relação à gripe A (H1N1), aludindo a eventuais pressões exercidas pelas farmacêuticas para desenvolver vacinas contra a doença. Hoje aquele organismo discute o modo como a Organização Mundial de Saúde (OMS) enfrentou a gripe A e o responsável voltou a reafirmar aquelas críticas à TSF.

Wodarg encara a gripe A (H1N1) como um dos maiores escândalos médicos do século. Na sua opinião o alarme era escusado o e custou muito dinheiro aos governos - só na Europa, foram gastos 5 mil milhões de euros com as vacinas, nota, acrescentando que este investimento resultou da pressão da indústria farmacêutica. Wodarg critica o alarme desnecessário, lançado pela OMS, considerando que se ficar provado que houve manipulação é preciso tirar as devias lições.

O responsável, que é médico especialista em epidemiologia, afirma que “as pessoas perderam a confiança na OMS” e as que decidiram não se vacinar “foram mais inteligentes do que os governos”. O especialista alemão diz que não há necessidade de vacinar crianças e grávidas, devendo tratar-se este vírus como sendo o de uma gripe normal.

O director-geral da Saúde, Francisco George, declarou à TSF que "não devemos confundir os cidadãos", notando que estas declarações foram feitas por um responsável que não foi reconduzido nas suas funções, em vésperas de abandonar o cargo.

George diz que é ainda muito cedo para fazer avaliações e que se agiu de acordo com "o princípio da precaução" face a um subtipo de vírus que era desconhecido. Tal como aconteceu com as três pandemias de gripe do século XX (1918, 1957 e 1968) é preciso esperar para fazer balanços, sublinhou.

O responsável ressalvou que as autoridades de saúde nacionais nunca disseram que "íamos ter uma mortandade". As medidas foram no sentido de "reduzir o impacto" da pandemia e isso julga ter sido alçançado. "É um problema real que está a ser controlado".

Ainda assim, George lembra que as 95 vítimas mortais de gripe A no país eram bastante mais jovens do que as pessoas que costumam morrer durante a gripe sazonal - a média de idades anda entre os 45 e 47 anos, em vez do habitual padrão de incidência entre idosos com mais de 65 anos.

Quanto ao destino a dar às vacinas que possam sobrar, o responsável responde que ainda não receberam a totalidade mas das que estão no país a taxa de utilização é de mais de 70 por cento. George nota que, contrariamente a países como a Alemanha, Portugal não encomendou vacinas para toda a população mas para 30 por cento. Acontece é que o esquema de vacinação mudou e constatou-se, em plena campanha de vacinação, que nos adultos apenas é necessária uma dose.

Há duas semanas a OMS respondeu às declarações de Wodarg dizendo que está disposta a submeter-se a uma avaliação por peritos independentes para determinar se a sua resposta à pandemia de gripe A (H1N1) foi ou não adequada.

O porta-voz da OMS em Genebra, Nyka Alexander, disse ainda na altura que a avaliação só poderá ser feita depois de declarado o fim da pandemia, o que poderá demorar meses, se não anos, uma vez que “não é possível dizer que a pandemia acabou até termos a certeza de que não voltou”. Ninguém sabe ainda se vai haver ou não novas vagas da doença.

O conselheiro especial do director-Geral da OMS para a Gripe Pandémica, Keiji Fukuda, vai estar em Portugal na sexta-feira, como um dos oradores das 7ªs Jornadas de Actualização em Doenças Infecciosas, organizadas pelo Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital de Curry Cabral, em Lisboa.

A pandemia foi declarada em Junho de 2009 pela OMS e acabou por não ser tão mortal como se temia - fez até agora uns 13 mil mortos em 200 países. Quer isso dizer que as autoridades mundiais de saúde reagiram de forma exagerada à ameaça?

Um editorial publicado há duas semanas na revista Nature contrapõe uma avaliação muito positiva da gestão da epidemia, contrastando nitidamente com o cepticismo dos que acham que tudo não passou de um falso alarme — e que foram desnecessariamente gastos rios de dinheiro. “Tivemos sorte com esta pandemia”, lê-se naquele texto. Sobretudo considerando que, “apesar de a maioria dos casos terem sido leves, os serviços de saúde ficaram muitas vezes sobrecarregados”.

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