Resgate dos trabalhadores mortos em Andorra só será feito amanhã 
08.11.2009 - 17:49 Por Ricardo Garcia
O resgate dos corpos de quatro dos cinco portugueses mortos num acidente nas obras de um túnel em Andorra será retomado apenas amanhã, quando estiver operacional uma grua especial capaz de retirar os escombros do desabamento de um viaduto. O equipamento deveria ter chegado ao meio da tarde, mas só estará no local à noite.
Trata-se de uma grua especial, com um braço de mais de 40 metros, capaz de desmontar de cima para baixo a estrutura que desabou, segundo disse Vicenç Alay, ministro do Ordenamento do Território de Andorra, numa conferência de imprensa esta tarde.
O acidente ocorreu ontem, cerca das 12h00, quando algumas dezenas de operários estavam a trabalhar sobre o viaduto em construção. A estrutura cedeu, desabando de uma altura de cerca de 20 metros. Cinco trabalhadores morreram e seis ficaram feridos, todos portugueses.
Quatro corpos ainda estão soterrados. Um quinto trabalhador chegou a ser resgatado com vida, depois de 12 horas preso entre os escombros. Mas acabou por morrer, não resistindo aos ferimentos e à hipotermia.
“Vamos dar prioridade absoluta à recuperação dos corpos”, disse o chefe do Governo de Andorra, Jaume Bartumeu, na conferência de imprensa. Bartumeu acrescentou, no entanto, que as operações terão de ser feitas de modo a não colocar as equipas de resgate em risco. Quando a grua conseguir retirar as estruturas metálicas que impedem o resgate, as equipas trabalharão manualmente para recuperar os corpos.
Jaume Bartumeu afirmou ainda que os cinco feridos que foram internados no Hospital Nostra Senyora de Meritxell, em Andorra, poderão regressar a Portugal assim que os médicos julguem que haja condições para tal. Os trabalhadores serão ainda ouvidos pelas autoridades policiais, no âmbito da investigação sobre o acidente.
O chefe do Governo de Andorra disse que há também uma inspecção em curso às duas empresas que contrataram os trabalhadores portugueses. Mas afirmou não ter, até agora, “elementos suficientes para pôr em dúvida” que as empresas estejam a cumprir a lei, em termos de protecção dos trabalhadores.
O Governo português tinha, ontem, a confirmação de que os trabalhadores estavam devidamente segurados. “Está tudo legalizado”, disse ao PÚBLICO Eduardo Saraiva, assessor de imprensa da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas. Nesta situação, segundo Eduardo Saraiva, “o Estado não tem de intervir” no repatriamento dos feridos ou na trasladação dos corpos.
Notícia actualizada às 18h21

