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Reportagem: As armas do padre Fernando Guerra levaram-no do altar para o tribunal

27.10.2009 - 08:42 Por Andrea Cunha Freitas

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A GNR deteve o padre no domingo de manhã a seguir à missa das 7h00. A GNR deteve o padre no domingo de manhã a seguir à missa das 7h00. (Ricardo Brito (arquivo))
A repentina viagem do padre Fernando Guerra do altar da igreja de Covas do Barroso até à esquadra de Boticas, no domingo de manhã a seguir à missa, ainda mói as conversas da aldeia do distrito de Vila Real. Ninguém arrisca sentenças ou sermões para o homem que foi preso por posse ilegal de armas e ouvido ontem pelo tribunal. "Armas, por ali, muitos têm. Para ir à caça. Se formos prender todos os que têm armas em casa, fica pouca gente aqui", atestam. Porém, se volta ou não, não parece importar muito. Ali, em Covas do Barroso, será recebido como sempre. "Nem amigo, nem inimigo." O bispo de Vila Real já fez saber que Fernando Guerra deverá continuar à frente da paróquia.

Poucos querem assinar críticas ou comentários. "As pessoas retraem-se", avisa uma mulher no café mais próximo da igreja. "Não é nada de bonito para falar. Acaba por ser uma coisa que nos envergonha", justifica o presidente da junta, Olímpio Gomes, que lamenta os piores motivos para chamar a atenção para a bonita aldeia. Uma suspeita de tráfico de armas eventualmente associado a uma rede de furto de viaturas não é nada que se deseje ter à porta de casa. Ainda por cima com um padre de 74 anos no meio da história.

São duas da tarde. Na aldeia de Covas há dois velhos sentados nas pedras que transbordam do chão da igreja velha. Perguntamos se é ali o local que ontem foi palco da acção policial. Não é. Aquela é a pequena capela que já quase para nada serve. Mas os dois velhos, os dois apoiados numa bengala, sabem do caso do padre Fernando. A mulher apressa-se a dizer-nos que não foi à missa no domingo e foge. Debaixo de um chapéu preto, o velho sorri e, antes de se enfiar a custo num táxi que parou ali ao lado, acrescenta apenas: "E eu que vou sempre e ontem fiquei às voltas com as horas do relógio. A hora mudou e eu perdi aquilo. Que pena tive." Talvez o senhor do chapéu preto vá para Boticas. Quem lá esteve de manhã conta que parecia um dia de feira, sem que se encontrassem jornais em lado nenhum.

São duas da tarde. Fernando Guerra, o padre de Covas do Barroso detido na manhã de domingo por suspeita de posse ilegal de armas de fogo, chegou ao Tribunal de Boticas para ser ouvido em primeiro interrogatório judicial. Chega "calmo e sorridente", acompanhado pela Guarda Nacional Republicana (GNR), e tem cerca de quatro dezenas de populares à sua espera. Alguns tiram fotografias e outros desabafam: "Custou a entrar lá dentro, mas agora vai." Só às quatro da tarde vai começar o interrogatório, mas antes disso já o bispo de Vila Real se pronunciou sobre o caso. Joaquim Gonçalves fez saber que o sacerdote se vai manter à frente da sua paróquia e que só "em caso de prisão prolongada", ou se este não conseguir "diluir a imagem negativa provocada", é que a diocese poderá transferi-lo ou até reformá-lo. "O sacerdote em causa terá que se entender com o seu povo", salientou o bispo, que acredita que o "caso não tem nada a ver com actos de terrorismo ou de tráfico de armas". "A ser verdade que ele tinha aquele armamento, poderá tratar-se de um negócio atrevido de armas de caça para fornecimento de amigos. Mas não sei", disse o bispo.

Negócio atrevido ou não, ninguém parece saber (querer?) explicar de onde veio a fortuna do padre. Sabe-se que tem "várias" casas e na grande morada de pedra de Covas do Barroso estacionam uns "quatro ou cinco carros". Um deles ainda estava ontem à tarde parado em frente à igreja, uma pick-up, e outro, um Mercedes, terá sido levado por um dos muitos elementos da GNR que participaram na detenção. "Eu não estive lá, mas dizem que aquilo parecia que estávamos no Iraque. Os homens ali à chuva - e chovia bem - à espera dele. Não era preciso tanto", julga o presidente da junta. Não era preciso tanto na operação que resultou na detenção de quatro pessoas e na apreensão de 16 armas ilegais, entre pistolas, revólveres e caçadeiras, milhares de munições, engenhos pirotécnicos e pólvora seca. Conta o capitão Filipe Soares que o sacerdote não ofereceu resistência, alegou que apenas uma arma estaria legal, e sobre as outras terá dito que foram deixadas por herança ou que desconhecia a sua proveniência. O Tribunal de Boticas apreciou ontem a história. O interrogatório foi interrompido às 18h, quando apenas tinha sido ouvido um arguido, e retomado ao final da tarde para que fossem ouvidos os restantes. Com Lusa


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Coitado

Coitadinho do padre, agora nem eles já tem descanso!!!!!!! As armas eram de brincar ...

Anónimo

27.10.2009 09:21

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