Reparação do superpetroleiro ao largo de Sines vai durar dez dias e não pára no Natal

23.12.2007 - 20:23 Por Lusa
A reparação do superpetroleiro francês avariado ao largo de Sines vai manter-se ininterruptamente durante os próximos dez dias, com a entrada de técnicos e material a bordo e a realização dos trabalhos durante a quadra natalícia.
"O navio vai continuar a meter pessoal técnico e material para proceder às reparações, não vai parar durante o Natal", avançou à Lusa Guilherme Marques Ferreira, capitão do porto de Sines e comandante da Polícia Marítima.
O "New Vision" está a ser reparado desde sábado, altura em que subiu ao navio uma equipa que integrou quatro peritos da autoridade marítima (Capitania) e da Autoridade de Controlo do Tráfego Marítimo (ACTM), para avaliar a causa e a extensão das avarias do petroleiro, bem como a sua capacidade de reparação.
"Inicialmente, foi estimado um período de três a quatro dias para a reparação, prazo que acabou entretanto por ser alargado para dez dias, depois de novamente avaliadas as avarias e os trabalhos a realizar", explicou Marques Ferreira.
Enquanto decorrerem os trabalhos, o petroleiro francês manter-se-á a uma distância de "20 a 40 milhas da costa, aproximando-se para as 13 a 14 milhas pontualmente para receber os técnicos e os materiais necessários", informou o representante da autoridade marítima.
O "New Vision", que transporta 300 mil toneladas de crude, afastou-se da sua rota quando fazia a ligação entre a Noruega e o Canadá, tendo sofrido uma avaria relacionada com a entrada de água na proa, durante uma tempestade no Mar do Norte, que danificou o sistema eléctrico.
O navio "não apresenta qualquer rombo no casco", assegurou Marques Ferreira, afastando a existência de qualquer risco de poluição decorrente da sua proximidade da costa portuguesa.
"O que aconteceu foi que, durante uma tempestade, houve um alagamento que causou o desaparecimento de uma escotilha no paiol, e que provocou avarias nos guinchos que operam o ferro (âncora) e nos cabos de amarração", precisou.
O superpetroleiro está agora a ser reparado em alto mar, sem entrar em águas territoriais portuguesas (a partir das 12 milhas), devendo estes trabalhos dotá-lo novamente da capacidade de atracar, embora não de fundear.
Após a reparação, o comandante do petroleiro deverá informar a Capitania do Porto de Sines das suas intenções.
"Caso o navio pretenda entrar e águas nacionais e no porto de Sines, terá de ser sujeito a nova vistoria e verificação das condições necessárias à atracagem", adiantou o comandante Marques Ferreira.
Se vier a entrar no porto alentejano, o "New Vision" poderá sofrer uma operação de trasfega do combustível que transporta para outros navios, o que no entanto não passa para já de "uma possibilidade", confirmou o capitão do porto.
Em declarações à Lusa, também João Galamas, director de agenciamento da Pinto Basto, representante do armador Reamer Shipping Inc., referiu que a trasfega do produto "dependerá de uma decisão que só será tomada depois da reparação do navio".
"Não é um cenário impossível, mas é muito extemporâneo falar para já do que decidirão um conjunto de entidades envolvidas: o armador, as autoridades portuguesas, o proprietário da carga, etc.", afirmou.
O superpetroleiro, com pavilhão do porto francês de Marselha e construído em 1994, tem 334 metros de comprimento, 60 metros de boca e 23 metros de calado. A bordo, transporta uma tripulação de 30 pessoas, entre os quais três franceses (comandante, imediato e mestre) e os restantes indianos.

