Renato Seabra, o modelo acusado do homicídio do cronista Carlos Castro, vai declarar-se inocente quando hoje for ouvido pelo Grande Júri do Supremo Tribunal do Estado de Nova Iorque, formado por 23 eleitores que vão decidir se há provas suficientes para o caso seguir para julgamento.
A acompanhá-lo estará o advogado David Touger, que ontem quebrou o silêncio sobre a estratégia que a defesa adoptará. "Vamos declarar inocência e planeamos fazer uma defesa vigorosa", disse o advogado em resposta enviada por correio electrónico.
O Ministério Público nova-iorquino poderá manter a acusação de homicídio em segundo grau, punível com uma pena que varia entre os 25 anos de cadeia e a prisão perpétua. Não é, contudo, impossível que a acusação agrave as imputações para homicídio em primeiro grau, com a mesma moldura penal daquela, mas sem admitir a liberdade condicional. O Grande Júri já tomou uma decisão, que será mantida em segredo até à audiência marcada para as 2h15 locais (19h15 em Lisboa).
Seabra continua detido no Hospital de Bellevue, na zona leste de Manhattan. O seu advogado deverá contestar a validade da confissão feita pelo modelo à polícia, sem a presença de um advogado, uns dias depois do homicídio de Carlos Castro, ocorrido a 7 de Janeiro. Um juiz do Tribunal Criminal nova-iorquino ouviu o modelo de 21 anos no passado dia 14 de Janeiro, tendo decidido deferir o pedido da procuradora Maxine Rosenthal para que o jovem português permanecesse em detenção até nova audiência judicial, devido à "seriedade e violência do crime".
Inimputável?
O psicólogo clínico Paulo Sargento acredita que o advogado irá invocar a inimputabilidade de Renato Seabra, que poderá ter cometido o crime num quadro psicótico. "É muito provável que este crime tenha sido a primeira manifestação de uma patologia ligada à esquizofrenia", admitiu Sargento, professor na Universidade Lusófona. O facto de o modelo ainda não ter tido alta do Hospital de Bellevue é, no entendimento de Paulo Sargento, um indício de que Seabra sofre de um quadro psiquiátrico complexo.
A mãe do modelo não estará presente na audiência de hoje por ainda não ter reunido as condições necessárias para regressar a Nova Iorque. Isso mesmo explicou ao PÚBLICO José Malta, cunhado de Renato: "A minha sogra ainda não reuniu as condições logísticas e financeiras para regressar a Nova Iorque. É preciso perceber que quando ela voltar não será para ficar dois ou três dias".
Lugar para ficar nos Estados Unidos não será um problema, adianta José Malta, que precisa que entre as centenas de cartas de solidariedade que a mãe de Renato Seabra tem recebido há várias de pessoas disponíveis para oferecer casa. "Chegaram muitas ofertas de amigos e algumas até de desconhecidos", diz o cunhado do modelo. E acrescenta: "São cartas e emails enviados para a morada da minha sogra, para a câmara, para a junta de freguesia e para o centro de saúde onde ela trabalha".
A família diz que, neste momento, o contacto com o modelo é muito difícil, já que Renato Seabra não pode fazer telefonemas e os que recebe também estão condicionados às regras da ala prisional do hospital. "A minha sogra falou com ele uma ou duas vezes", refere José Malta, que diz que a família não tem mais nenhuma informação sobre o processo judicial.
Notícia substituída às 08h58, de 1.02.2011


