A Ordem dos Farmacêuticos (OF) deve divulgar hoje o relatório elaborado pela comissão criada para avaliar as condições de trabalho e as práticas da farmácia do Hospital Santa Maria, em Lisboa, na sequência da injecção de uma substância nos olhos de seis doentes há quase três semanas, que deixou estes pacientes sem ver.
Ontem, o oftalmologista canadiano Miguel Burnier, do Royal Victoria Hospital da Universidade McGill, em Montreal (Canadá), esteve no Santa Maria a observar os doentes, a convite do hospital, mas a unidade não divulgou qualquer informação sobre a visita nem sobre o estado dos cinco pacientes que continuam internados.
A bastonária dos farmacêuticos, Elisabete Faria, explicou ao PÚBLICO que os cinco especialistas que compõem a comissão estiveram ontem o dia todo no Santa Maria, sendo de esperar que hoje já haja um relatório.
"O grupo de trabalho, coordenado pelo director do departamento de qualidade da Ordem, deverá elaborar o relatório hoje [ontem] à noite", adiantou a bastonária. O objectivo é analisar as condições de trabalho dos farmacêuticos no âmbito das Boas Práticas da Farmácia Hospitalar, publicadas em Março de 2005.
Numa nota, a OF assinala que no Santa Maria existem 27 profissionais por mil camas, comparando o número com a média dos hospitais congéneres em Londres: 132 por mil camas. Contudo, o hospital veio mais tarde esclarecer que o Centro Hospitalar Lisboa Norte é a unidade do país com o melhor rácio de farmacêuticos hospitalares por cama.
A OF sublinha que, devido a esta carência, os medicamentos preparados na farmácia quase nunca têm acompanhamento posterior do farmacêutico até à sua aplicação na enfermaria ou no bloco. A situação seria resolvida, considera a bastonária, com a criação de equipas multidisciplinares, "uma prática seguida na maioria dos países europeus e que implica a constituição das carreiras para os farmacêuticos hospitalares". Elisabete Faria considera ainda fundamental fazer um estudo sobre os erros na medicação. "Não sabemos qual é a dimensão desta realidade em Portugal. Será maior ou menor que lá fora?", questiona.


