O Ministério Público (MP) e os advogados das famílias das alegadas vítimas mortas por Francisco Leitão, conhecido como "rei Ghob", pediram nesta segunda-feira 25 anos de prisão, apesar de o arguido ter afirmado pela primeira vez no Tribunal de Torres Vedras que está inocente.
Nas alegações finais do julgamento, que decorreram durante toda a tarde de hoje, o MP e os quatro advogados das famílias de três das alegadas quatro vítimas do arguido pediram que seja aplicada ao arguido uma pena de 25 anos de prisão.
“Estou inocente nos homicídios e nas ocultações de cadáver. Não matei ninguém”, disse Francisco Leitão pela primeira vez em tribunal, acrescentando que “não consegue dar explicações” para os factos referidos durante o julgamento.
A procuradora do MP, Ana Paula Silva, defendeu que, quanto desaparecimento dos três jovens, a investigação desenvolvida pela Polícia Judiciária permitiu concluir que “se tratam de homicídios com ocultação de cadáver e não de sequestros ou raptos” e que “a prova é clara”.
“Não é crível que qualquer destes jovens estejam vivos”, sublinhou, pedindo assim que o arguido seja condenado à pena máxima de prisão de 25 anos.
A procuradora admitiu que, face a um caso em que não foram encontrados os cadáveres das vítimas, se trata de um caso apenas conhecido “de filmes” e sem quaisquer antecedentes em Portugal.
O MP pediu ainda absolvição do arguido do quarto homicídio de que vinha acusado, relativo a de um idoso sem-abrigo de alcunha ‘Pisa Lagartos’, porque “não foi possível recolher provas”.
Já a defesa, a cargo do advogado Fernando Carvalhal, pediu “que seja feita justiça não com uma pena máxima, mas com uma pena justa”, por considerar que “a prova é tudo menos clara”, sendo baseada em depoimentos que merecem pouca credibilidade e numa investigação que apenas levanta “dúvidas” relativas a um eventual envolvimento do arguido nos três homicídios.
“Não se consegue imputar a ele a origem dos telefones”, sensibilizou o tribunal de júri.
Ainda do lado da acusação, os advogados das famílias, tidos como assistentes no processo, afirmaram, através da advogada Brígida Henriques, que perante o silêncio em não prestar declarações em tribunal “em momento algum o arguido demonstrou arrependimento nem antes nem depois de ter sido detido”.
Os advogados pediram ainda assim que o arguido não seja condenado pelos crimes de ocultação de cadáver se indicar a localização dos corpos.
A leitura do acórdão foi agendada para 6 de Março, pelas 14h.
‘Rei Ghob’, que está a ser julgado por um tribunal de júri, é acusado de quatro crimes de homicídio e outros quatro de ocultação de cadáver, relativos às mortes de um idoso sem-abrigo, conhecido por ‘Pisa Lagartos’ (1995), de Tânia Ramos (5 de Junho de 2008), de Ivo Delgado (26 de Junho de 2008) e de Joana Correia (3 de Março de 2010).


