Região de Lisboa teve menos rigor na aplicação da reforma dos cuidados primários

11.05.2008 - 10:08 Por Lusa
A região de Lisboa e Vale do Tejo não teve o mesmo “rigor e exigência” na implementação da reforma dos cuidados primários de saúde do que o resto do país, concluiu o Observatório da Ordem dos Enfermeiros.
Com base num questionário a 322 enfermeiros de 61 Unidades de Saúde Familiar (USF) e respectivos Centros de Saúde (39), o Observatório da Ordem dos Enfermeiros para os Cuidados de Saúde Primários aponta uma “assimetria em termos de implementação e acompanhamento da reforma” dos cuidados primários de saúde.
“Há a sensação de que temos um país pequeno e em que tudo é igual e isso não é verdade, há variações significativas entre Administrações Regionais de Saúde (ARS)”, referiu o coordenador do observatório, Manuel Oliveira, garantindo que, de acordo com os dados, “não houve o mesmo rigor em termos da implementação da reforma”.
Em declarações à Lusa, o enfermeiro sustentou a sua observação com o rácio de 1735 utentes por enfermeiro nas USF da região de Lisboa e Vale do Tejo, enquanto no Norte esse valor é de de 1499 e no Centro de 1679.
Quando comparados os rácios dos Centros de Saúde, regista-se um maior défice: 2209 utentes por enfermeiro em Lisboa, 1687 no Norte e 1763 no Centro.
Lisboa deficitária
Manuel Oliveira também sublinhou que o modelo de organização da prestação de cuidados por enfermeiros de família foi adoptado em 61,5 por cento das USF do Centro, 54,2 por cento do Norte e em apenas 18 por cento nas unidades de Lisboa e Vale do Tejo.
A “diferença significativa” é justificada pela “análise das candidaturas e com o acompanhamento feito dessas unidades”, referiu ainda o coordenador, adiantando que outra diferença encontrada entre as várias ARS está nas instalações físicas.
“Em Lisboa e Vale do Tejo a maior parte dos centros de saúde tem condições superiores às das USF, o que é contraditório com o que aconteceu no resto do país”, notou ainda o responsável, relacionando esta situação com o processo de abertura das USF.
“Do nosso ponto de vista, Lisboa e Vale do Tejo não teve o mesmo nível de exigência que outras ARS. Na fase de candidatura tudo é analisado e discutido com pormenor. Houve USF que aguardaram processos de remodelação e reestruturação das estruturas físicas para iniciarem actividade e Lisboa aparece como uma situação deficitária mesmo em relação aos centros de saúde”, acrescentou.

