O presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), Gonçalo Ferreira, considerou hoje "incompreensível" que a rede de cuidados continuados e paliativos que está a ser desenvolvida em Portugal não abranja as crianças e os adolescentes.
"É incompreensível que a actual rede, com uma grande diversificação na oferta de camas de retaguarda, não contemple em termos de financiamento a idade pediátrica", disse Gonçalo Ferreira durante a sessão de abertura do 8º Congresso de Pediatria, a decorrer em Vilamoura, no Algarve.
"[Mas] não pedimos ao Estado que resolva tudo por nós, aguardando de braços cruzados", afirmou, sublinhando que, por essa mesma razão, a SPP criou recentemente uma Comissão para os Cuidados Continuados.
Segundo Gonçalo Ferreira, é também necessário "repensar" a formação em Pediatria, criando um tronco comum a partir do qual se formem três tipos de pediatras: os destinados a apoiar os cuidados ambulatórios, os assistentes dos doentes complexos e os de sub-especialidade.
Apesar de não ter estado presente no congresso, o ministro da Saúde, Correia de Campos, disse no seu discurso lido pela alta comissária para a Saúde, Maria do Céu Machado, que a medicina dirigida a crianças e adolescentes "vai muito além" da idade convencionada, referindo o exemplo das doenças cardíacas, considerando que são o "reflexo do que ocorre na vida fetal".


