O Governo vai apresentar hoje a Rede de Cuidados Continuados em Saúde, que visa diminuir o número de internamentos hospitalares e aumentar as camas disponíveis para doentes crónicos e em convalescença.
Aprovada em Conselho de Ministros no dia 16 de Março, a Rede de Cuidados Continuados em Saúde vai permitir - segundo os números divulgados pelo ministro da Saúde no Parlamento - aumentar, até 2010, em 16 mil o número de camas destinadas aos doentes crónicos e reduzir em cinco por cento o número de camas hospitalares ocupadas por pessoas que não necessitam deste nível de cuidados.
O objectivo dos cuidados continuados - vocacionados essencialmente para idosos e pessoas com dependência - é assegurar a continuidade do seu tratamento após a alta hospitalar e a sua recuperação em unidades de internamento específicas ou, preferencialmente, em casa, com o apoio de equipas de cuidados domiciliários.
O projecto vai desenrolar-se através da articulação entre os ministérios da Saúde e do Trabalho e Solidariedade Social - que são também co-financiadores -, estando também aberto à participação de outras entidades.
O presidente da União das Misericórdias Portuguesas, padre Victor Melícias, assegurou já que estas instituições podem vir a disponibilizar entre sete a oito mil camas para cuidados continuados, a longo prazo.
Também o presidente da Confederação Nacional de Instituições de Cuidados, padre Lino Maia, afirmou que "há total disponibilidade das instituições de solidariedade em criar respostas para os cuidados continuados", embora seja necessário "algum apoio para as implementar", nomeadamente no que toca a equipamento.
O documento aprovado há um mês pelo Governo determina também apoios para quem cuida de um dependente, pois o internamento em unidades de cuidados continuados de longa duração (para estadias superiores a dois meses) pode ser utilizado para que o principal cuidador descanse, durante um período não superior a 90 dias por ano.


