Recluso de 18 anos morre de noite em Custóias

18.06.2006 - 11:53 Por Alexandra Campos, com N.A./PÚBLICO
Um recluso do Estabelecimento Prisional do Porto (Custóias), com apenas 18 anos, foi ontem de manhã encontrado morto na sua cela sem apresentar "indícios de violência nem qualquer tipo de marcas no corpo", adiantou Clara Gomes, porta-voz da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP).
Detido preventivamente "há alguns meses" por suspeita de furto qualificado, o rapaz foi encontrado sem vida às 7h45, hora de abertura da cela que partilhava com mais dois reclusos, os quais não se aperceberam de nada, acrescentou a porta-voz. Só a autópsia poderá fornecer uma explicação para esta morte inesperada, disse.
O recluso terá falecido durante a noite, à semelhança do que aconteceu com três detidos, no final do ano passado em Custóias, que foram encontrados mortos de manhã nas suas celas sem indiciar qualquer tipo de violência. Esta circunstância fez levantar a questão de saber se estaria também a ser submetido ao programa de administração de metadona, substância utilizada no tratamento de toxicodependência, tal como os detidos falecidos em Dezembro. A porta-voz da DGSP garantiu que não, adiantando apenas que o rapaz tomava antidepressivos.
Em Dezembro de 2005, em apenas quatro dias, três reclusos apareceram mortos nas suas celas em Custóias e um quarto sofreu uma paragem cardio-respiratória durante o dia, tendo sido reanimado a tempo. Os quatros tinham em comum o facto de estarem a ser tratados com metadona e ocuparem celas na mesma ala da cadeia. Na altura colou-se a hipótese de terem ingerido uma droga incompatível com a metadona.
O resultado das autópsias acabou, porém, por ser inconclusivo, apesar de revelar a presença de metadona e vestígios de uma série de medicamentos, nomeadamente benzodiazepinas (calmantes) e neurolépticos (classe dos antipsicóticos), nenhum dos quais em quantidades consideradas excessivas.
Também ontem, no Estabelecimento Prisional de Coimbra, um preso de 34 anos foi encontrado por um guarda prisional enforcado na sua cela. Clara Gomes adiantou à Lusa que técnicos do Instituto de Medicina Legal e da Polícia Judiciária estiveram na prisão para recolher dados. O homem cumpria uma pena de dez anos e cinco meses por roubo e dano e teria ainda de cumprir outra de cinco anos e seis meses por tráfico dentro da cadeia.

