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Misericórdias vão criar mais instituições de solidariedade social no estrangeiro

Receitas de jogo pela Internet podem apoiar emigrantes desfavorecidos

15.03.2006 - 09:10 Por Bárbara Wong, PÚBLICO

Até ao final do ano, os portugueses residentes no estrangeiro vão poder jogar, via Internet, e ganhar prémios num jogo social, que vai ser desenvolvido pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. As receitas reverterão a favor dos emigrantes mais carenciados e das instituições portuguesas de solidariedade espalhadas pelo mundo.
 (DR)

O protocolo de cooperação que prevê mais apoios para os emigrantes desfavorecidos vai ser hoje assinado entre os ministérios dos Negócios Estrangeiros e do Trabalho e da Solidariedade Social, com a União das Misericórdias Portuguesas e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

O jogo social é "uma abordagem inovadora cujo projecto só é possível dado o recurso às novas tecnologias", explica o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, António Braga. Por questões jurídicas, os emigrantes vão poder jogar, via Internet, e terão de ter conta bancária aberta em Portugal.

As receitas do jogo revertem a favor das instituições de solidariedade social das comunidades, acrescenta o secretário de Estado: "O potencial é imenso e as nossas comunidades participam, por essa via, no melhoramento das instituições."

O Governo está preocupado com os emigrantes mais carenciados e com o aumento significativo dos casos sociais, refere o protocolo. Actualmente, há mais de uma centena de instituições de solidariedade nas comunidades portuguesas, que ajudam e acolhem os mais carenciados. No entanto, a resposta é "insuficiente ou desadequada", aponta o texto. Por isso, é importante que se promova a vertente de solidariedade social entre as associações de portugueses espalhadas pelo mundo, defende a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.

Mas não só. O protocolo prevê ainda congregar as associações de solidariedade e beneficência, com o objectivo de criar novas instituições, além de lhes prestar apoio técnico e material e facilitar a ligação com as autoridades de Portugal e dos países de acolhimento.

A União das Misericórdias Portuguesas (UMP) pretende contribuir para a criação e construção de equipamentos sociais nos países de acolhimento, explica Vítor Melícias, presidente da UMP, que gostaria de "ampliar e estender o projecto de solidariedade aos mais necessitados, idosos, doentes e isolados da diáspora".

No âmbito de um outro acordo assinado com o anterior governo socialista, existem Santas Casas da Misericórdia em Paris, Luxemburgo e em vários países de língua oficial portuguesa, informa Melícias.

O actual protocolo prevê a possibilidade de concorrer a financiamento da União Europeia e também fomentar o mecenato social, em particular dos "emigrantes e das suas poupanças".

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