Quinta da Fonte: Comunidade cigana que pernoitou no pavilhão queixa-se de falta de condições

15.07.2008 - 10:27 Por Lusa
Elementos da comunidade cigana do bairro da Quinta da Fonte que pernoitaram no pavilhão cedido pela Câmara de Loures queixaram-se hoje de que ainda nada lhes deram para comer e ameaçaram voltar a manifestar-se à porta da autarquia.
"Só comemos ontem à noite. As crianças nem sequer têm leite para beber", lamentou indignado Joaquim Sá, um dos moradores do Bairro Quinta da Fonte onde quinta e sexta-feira houve confrontos entre as comunidades cigana e africana.
Apesar de "agradecerem muito" o apoio dado durante a noite pelos elementos da Cruz Vermelha que estiveram no pavilhão, alguns dos habitantes da Quinta da Fonte ouvidos pela Lusa mostraram-se inquietos quanto à solução futura para o seu problema.
"Para a Apelação não voltamos de certeza. Só se quiserem encomendar caixões na funerária", declarou à Lusa José Carlos, um morador também indignado com "a falta de condições do pavilhão", queixando-se nomeadamente de "ter dormido no chão" e de só haver uma casa de banho para os homens e outra para as mulheres.
O pavilhão albergou durante a noite cerca de 50 famílias.
Apesar das queixas, José Fernandes, que ontem representou a comunidade cigana junto do presidente da Câmara de Loures, considerou que a noite de ontem "foi melhor do que nada".
"Dormimos sem preocupações de segurança. Não tivemos no pensamento que a qualquer momento podia surgir um problema", adiantou.
Este representante disse estar à espera das conclusões de uma reunião entre a autarquia e os advogados da comunidade para decidir quando voltarão a manifestar-se à porta da câmara Municipal de Loures, o que poderá acontecer hoje à tarde.
A Lusa presenciou ainda a chegada de uma ambulância dos bombeiros ao pavilhão para vir prestar auxílio a um elemento da comunidade que está com uma "broncopneumonia grave", segundo José Fernandes.
Este morador deixou ainda um apelo para que as associações que representam a etnia cigana, portuguesas e europeias, se "mexam" para ajudar a resolver a situação.
Segundo disse à Lusa uma funcionária que trabalha no pavilhão, os elementos da Cruz Vermelha apenas estiveram naquelas instalações durante a noite, não estando presente qualquer elemento durante a manhã, pelos menos até às 10h00.

