PSP: sindicato ameaça passar consoada à porta do Ministério da Administração Interna

08.11.2005 - 18:04 Por Lusa
O Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP) anunciou hoje a disposição de passar a próxima consoada à porta do Ministério da Administração Interna, para alertar que os polícias não recebem contrapartidas por trabalharem no Natal.
"O SPP está na disposição de passar a próxima consoada à porta do Ministério da Administração Interna, a fim de alertar a população de que as forças de segurança não recebem qualquer contrapartida por trabalharem nesses dias, à semelhança do que se passa na Administração Pública e até no sector privado", disse em conferência de imprensa António Ramos, presidente daquela estrutura sindical.
Essa forma de protesto, a realizar-se, contará também com a participação da Associação Sócio-Profissional Independente da Guarda - uma das estruturas associativas da GNR.
O SPP denunciou no encontro com os jornalistas "a onda de perseguições que a direcção nacional da Polícia de Segurança Pública [PSP] e o ministro da Administração Interna [António Costa] estão a fazer" aos respectivos dirigentes.
"Ainda recentemente, a direcção nacional da PSP mandou reabrir o processo de António Cartaxo, o qual se encontrava parado, mantendo a acusação inicial de 'reforma compulsiva'", afirmou António Ramos.
Por outro lado, segundo o SPP, "a direcção nacional da PSP tem transferido alguns delegados sindicais dos seus locais de serviço, sem o acordo expresso dos mesmos e sem ser feita qualquer audição do sindicato, nos termos da lei".
Pedidos de aposentação aguardam resposta "há nove meses"
Quanto aos pedidos de aposentação apresentados pelos polícias, o SPP frisa que "ainda continuam a aguardar resposta aos requerimentos, alguns deles há mais de nove meses".
O ministro de Estado e da Administração Interna, António Costa, acusou no passado dia 3, no Parlamento, o SPP de só dizer "asneiras e falsidades".
"O sindicato do senhor Ramos é o que mais fala, entre os nove ou dez sindicatos e associações existentes na PSP, mas nem sequer é o mais representativo e só diz asneiras e falsidades", acrescentou o governante, referindo-se ao presidente do SPP, o agente principal António Ramos, que foi alvo recentemente de dois processos disciplinares, um dos quais poderá levar ao seu afastamento da PSP.
O ministro comentava uma alegada declaração pública de António Ramos, segundo a qual agentes policiais pagavam do seu bolso coletes à prova de bala.
O SPP repudiou as afirmações do ministro de Estado e da Administração Interna e anunciou que vai mover-lhe um processo judicial.

