O PSD responsabiliza o Governo pela situação de “grave instabilidade” vivida na Polícia Judiciária, que levou à demissão de Santos Cabral, desejando que a nova equipa possa mostrar "independência e isenção" em relação ao poder político.
"O PSD lamenta a situação de grave instabilidade que existe na Polícia Judiciária e que foi gerada pelo Governo", afirmou o deputado social-democrata Paulo Rangel.
Segundo um comunicado do Ministério da Justiça, o ministro Alberto Costa "informou hoje pessoalmente" o director da PJ, Santos Cabral, de que "foi posto termo à respectiva comissão de serviço, com efeitos imediatos".
O afastamento de Santos Cabral acontece menos de uma semana depois de a direcção nacional ter ameaçado demitir-se caso o Governo avançasse com a intenção de retirar à PJ o pelouro das Relações Internacionais, que inclui as ligações à Interpol e à Europol.
A este propósito, Paulo Rangel lamentou que tenha sido “trazido para a praça pública um conflito entre ministros”, numa referência à hipótese das ligações com as polícias internacionais ficarem dependentes do Gabinete Coordenador de Segurança, que está na dependência do ministério da Administração Interna.
"Tudo isso deixou a direcção da PJ num beco sem saída", afirmou o deputado, que exerceu o cargo de secretário de Estado adjunto do ministro da Justiça, no executivo de Pedro Santana Lopes.
Sublinhando a "dificuldade de relacionamento" que o Governo tem demonstrado nas relações com a PJ, Paulo Rangel manifestou ainda o "desejo veemente" que o novo director-nacional, Alípio Ribeiro, mostre "total isenção do poder político".


