O PSD vai pedir hoje a audição no Parlamento do ministro da Saúde, Correia de Campos, para esclarecimentos sobre a eventual criação de taxas para serviços até agora gratuitos, como o internamento, que os sociais-democratas consideram ser um novo imposto.
Em entrevista à Lusa, o ministro da Saúde admitiu hoje criar taxas moderadoras para serviços actualmente gratuitos para os utentes, como o internamento ou a cirurgia de ambulatório, adiantando que a medida pode ser aplicada "em breve".
Correia de Campos disse que essa possibilidade não tem apenas fundamentos económicos, que resulta num "valor mínimo" de receitas e que os objectivos são mais estruturais, como a moderação do acesso e a valorização do serviço prestado.
A social-democrata Zita Seabra reagiu às declarações do ministro contestando que se trate de taxas moderadoras, argumentando que "servem para moderar eventuais abusos dos utentes, moderar a procura". "Um internamento ou uma operação cirúrgica são determinados pelo médico. Não há ninguém que diga: agora vou internar-me ou vou fazer uma operação. Esta é uma taxa não moderadora, é um novo imposto, chamando a coisa pelo nome", defendeu.
"Só se pode como governante moderar com uma taxa serviços a que as pessoas decidem recorrer. O ministro que não tente enganar as pessoas", acrescentou, considerando, de qualquer forma, "um disparate" e "a última das medidas" o pagamento pelos utentes de cirurgias ou internamentos.
Zita Seabra acusou Correia de Campos de ser "especialista em vender gato por lebre" e alegou que a razão para esta medida é a sua "incapacidade para controlar os gastos do Ministério da Saúde" e o facto de "estar aflito com as contas".
A deputada anunciou que na reunião desta tarde da Comissão de Saúde vai requerer a audição do ministro "para que apresente os estudos que estão por trás desta decisão" e que, se não existirem, o PSD vai "contestar a legalidade desta medida".


