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Escutas

PSD destaca-se do silêncio geral dos partidos e pede audições sobre a liberdade de expressão

06.02.2010 - 08:58 Por Margarida Gomes, Sofia Rodrigues

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A divulgação dos despachos judiciais mereceu cautelas aos deputados. Os analistas políticos concordam sobre os danos na imagem de José Sócrates.

Perante o silêncio generalizado nos partidos face às notícias do semanário Sol, só duas vozes se fizeram ouvir sobre os despachos judiciais e as conversas reveladas pelo jornal, e ambas do PSD: a líder do partido e o deputado José Pacheco Pereira. O deputado apontou directo ao Governo e ao primeiro-ministro, afirmando que José Sócrates e "um grupo de pessoas" à sua volta têm "um padrão de comportamento" que passa por "ameaças, chantagens e actos". O resultado desse modelo de comportamento, diz Pacheco Pereira, teve como resultado uma "menor liberdade na informação em Portugal", afirmou.

No dia em que o Sol revelou "indícios muito fortes" de um plano envolvendo José Sócrates para "controlar" a TVI e outros media, Pacheco Pereira recordou que tem vindo "a alertar" para esse "padrão de comportamento" nos últimos tempos. "O primeiro-ministro convive muito mal com a liberdade de imprensa, convive muito mal com as pessoas que o criticam", disse.

Pela líder do PSD, a reacção foi lacónica. "Eu, durante meses, falei sobre esse assunto e, portanto, neste momento nada tenho a comentar, a não ser a certeza de que já falei nisso há muito tempo e que ninguém, provavelmente, levou a sério", disse Ferreira Leite, remetendo mais esclarecimentos para um requerimento entregue anteontem pelo PSD.

A iniciativa propõe que sejam promovidas audições sobre o "exercício da liberdade de expressão em Portugal", dado que ganha terreno um "sentimento generalizado de condicionamento junto dos cidadãos do exercício dos seus direitos, liberdades e garantias". O PSD propõe audições a diversas entidades representativas do sector, mas também a directores de órgãos de comunicação social, "jornalistas" e "articulistas".

Política como na Bolívia

Fora do Parlamento e do sistema político, o debate em torno das escutas alastrou, abrindo "uma nova etapa no subsolo da política portuguesa", diz Carlos Abreu Amorim, professor de Direito na Universidade do Minho. "As transcrições provam que o primeiro-ministro de Portugal andou a conspirar, foi parte activa, foi até a cabeça dirigente de um núcleo que visava destruir uma das bases fundamentais de uma democracia moderna que é a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa". André Freire, professor no Instituo de Ciência Sociais de Lisboa, acrescenta que "tudo isto é muito comprometedor e exige alguma clarificação dos responsáveis, sobretudo do presidente do Supremo Tribunal de Justiça e do procurador-geral da República", que contrariam os indícios alegados pelos magistrados de Aveiro. "Eles têm um dever para com a sociedade portuguesa e não se devem refugiar em formalismos jurídicos para não o fazer. Têm esse dever", sublinha André Freire.

"Um país estranho"

Carlos Abreu Amorim continua dizendo que as reacções suscitadas pela notícia do Sol revelam a existência de "um país estranho". "Se nós não estivéssemos num país estranho, é evidente que, neste momento, estaria em causa a dignidade do primeiro-ministro e não era uma dúvida só entre comentadores e politólogos, mas na generalidade da população portuguesa". Para este jurista, "importa saber se, de facto, José Sócrates tem condições subjectivas para ser primeiro-ministro de Portugal".

Para Manuel Manuel Meirinho, professor no Instituto de Ciências Sociais de Lisboa, "o que agora se sabe fragiliza largamente o primeiro-ministro porque abre um espaço de confrontação e de exposição inevitável. Todos os outros casos foram de outra ordem, porque não tinham o peso político que este tem e porque os factos conhecidos eram insuficientes para qualquer julgamento".

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q

Portugal depois está transformado também numa imensa Sicilia, onde a vigarice, a ...

q

06.02.2010 13:27

X

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