Vários milhares de funcionários públicos desfilaram pelas ruas da baixa lisboeta para irem ao Ministério das Finanças pedir aumentos salariais este ano.
Depois de terem estado concentrados na praça dos Restauradores, onde durante cerca de duas horas foram chegando dezenas de autocarros vindos de todo o país, os trabalhadores deslocaram-se em desfile gritando os motivos do protesto.
"Emprego sim, precariedade não", "A carreira é um direito sem ela nada feito", "Negociação sim, imposição não", são algumas das palavras de ordem que se ouviram interpretadas pelo som agudo de apitos e buzinas.
O desfile decorreu de forma ordeira e em tom festivo, encabeçado por um grupo de bombos e gaitas e colorido pelas bandeiras dos vários sindicatos que integram a Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública.
Os automóveis não circularam ao longo do percurso e os transeuntes e lojistas encheram os passeios para ver passar o desfile.
Nem os organizadores nem a polícia quiseram adiantar números, mas só o Sindicato dos Trabalhadores e da Administração Local trouxe mais de cem autocarros com funcionários das autarquias de todo o país.
A Frente Comum convocou a manifestação nacional no início de Janeiro, muito antes de o Governo divulgar a sua intenção de congelar os salários.
Nessa altura, a estrutura sindical - que reivindica aumentos salariais de 4,5 por cento e um aumento mínimo de 50 euros por trabalhador - considerou haver motivos para protestar contra a precariedade, por aumentos salariais dignos e pela suspensão do Sistema Integrado de Avaliação de Desempenho da Função Pública.
O congelamento salarial e a antecipação da convergência da penalização pela antecipação da reforma com o regime geral, previsto no OE, tornaram-se motivos acrescidos para a manifestação.
A coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila considerou que o anúncio do congelamento salarial e do agravamento das penalizações para as aposentações antecipadas veio mobilizar ainda mais os trabalhadores para o protesto de hoje.
"Trabalhadores devem continuar a lutar por aumentos salariais"
O secretário geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, exortou hoje os trabalhadores da Administração Pública a continuarem a lutar por aumentos salariais e pelos seus direitos e alertou o Governo de que é possível dar-lhes um sinal positivo.
"A luta tem de continuar porque o futuro não se faz com a política que eles [o Governo] apresentam, mas sim com as propostas que nós [sindicatos] desenvolvemos", disse Carvalho da Silva aos milhares de manifestantes que participaram na acção de protesto promovida pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública.
O sindicalista referiu que é possível ao Governo negociar matérias em diversas áreas que podem contribuir para valorizar as remunerações dos trabalhadores, como é o caso de algumas carreiras específicas ou de reenquadramentos.
"O Governo deve sair desta posição de congelamento salarial até porque a sociedade para sair da actual crise precisa de mais emprego e de melhores salários, tanto no sector público como no privado", disse.
Carvalho da Silva defendeu ainda que para haver equilíbrio das contas públicas é preciso orientar melhor o investimento público e haver mais seletividade na despesa.


