Não foi a primeira vez que houve problemas. Ontem a manifestação de proprietários de equipamentos de diversão a decorrer ao fim da tarde perto do Parque das Nações teve direito a tiros de dissuasão, depois de alguns condutores terem tentado circular de carro em contramão.
Segundo fonte do Comando Metropolitano de Lisboa, “os agentes dispararam, por volta das 18h40, porque alguns manifestantes, ao volante das suas viaturas, tentaram entrar em contramão entre a rotunda do rio Trancão e a rotunda junto à Ford do Parque das Nações, em Moscavide”.
De acordo com a PSP, o ambiente que se vive na manifestação é hostil, mas não há registo de feridos.
Cerca de uma centena de proprietários de equipamentos de diversão manifestou-se ontem em Lisboa, exigindo a revogação do novo decreto-lei que regulamenta o licenciamento dos equipamentos de diversão. De manhã, o protesto decorreu em frente à residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento. À tarde, foi a vez de os proprietários dos carrosséis ocuparem a Praça Marquês de Pombal, enquanto a comitiva da Associação de Proprietários de Equipamentos de Diversão (APED) era recebido pelo secretário de Estado do Comércio, Fernando Serrasqueiro. No fim, as duas partes faziam balaços diferentes do dia, mas para segunda-feira já está marcada nova reunião.
“Não tenho nada, nem compromissos nem documentos”, disse Luís Paulo Fernandes, presidente da APED, no fim da reunião. Já Fernando Serrasqueiro considerou que “embora a reunião não tenha sido conclusiva, houve alguns avanços”. “Esclarecermos a nossa posição. O Governo sublinhou que não cede na questão da segurança”, acrescentou o governante, que se manifestou, contudo, disponível para esclarecer todas as dúvidas sobre questões técnicas decorrentes do novo regime.
Na origem do diferendo está um decreto-lei publicado em Setembro passado que exige uma inspecção prévia dos carrosséis antes de estes serem licenciados para operarem em recintos itinerantes. A incapacidade do Estado em realizar esta nova inspecção e o seu custo, que ronda os 1500 euros, são as principais razões dos protestos.


