A produção de ópio no Afeganistão vai aumentar 49 por cento este ano, apesar dos milhões de dólares gastos para combater esta cultura, informou hoje em Cabul um alto responsável da ONU. O Presidente afegão Hamid Karzai diz-se “decepcionado”.
“A plantação de ópio no Afeganistão está fora de controlo”, reconheceu António Maria Costa, director da agência da ONU contra a droga e o crime (UNODC).
“A colheita deste ano rondará as 6100 toneladas de ópio”, ou seja, 49 por cento a mais do que em 2005, revelou.
O Afeganistão assegura, assim, 92 por cento da produção mundial de ópio, na base do fabrico da morfina e heroína. A colheita de 2006 ultrapassa em 30 pontos percentuais o consumo mundial, acrescentou António Maria Costa.
“Os números são muito preocupantes. O Afeganistão está cada vez mais dependente da sua própria droga”.
Costa exige que “os cem piores traficantes e cultivadores de ópio sejam detidos e julgados. Propomos que os seus bens sejam redistribuídos pelo povo afegão, especialmente, as terras”.
Este ano, a superfície cultivada aumentou 59 por cento para 165 mil hectares.
A campanha de erradicação permitiu destruir 15.300 hectares contra 5100 do ano passado.
Presidente afegão diz-se “decepcionado”
Perante estes números, o Presidente afegão Hamid Karzai diz-se “decepcionado”, segundo um comunicado da presidência.
“Estou decepcionado porque o sucesso que conseguimos no ano passado quanto à erradicação se tenha invertido este ano”, disse Karzai.
“Quaisquer que sejam as razões deste ano, o Governo afegão e a comunidade internacional devem retirar lições e trabalhar mais sobre todas as frentes da luta contra a droga para evitar que se repita em 2007”.
O Presidente Karzai apelou à comunidade internacional para aumentar a sua cooperação com o Governo do Afeganistão e para ajudar o país a “reforçar os recursos” das forças de segurança.
Karzai adiantou que foi criado um tribunal especial, dedicado às questões da droga.
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