Procuradoria pode mudar acusação contra Renato Seabra

12.01.2011 - 07:58 Por Kathleen Gomes, em Nova Iorque
Houve ou não premeditação no homicídio de Carlos Castro? A polícia considerou que não. A procuradoria pode ter outro entendimento.
O manequim Renato Seabra foi acusado pela polícia de Nova Iorque de homicídio em segundo grau no domingo, mas a acusação contra ele pode ser diferente depois de o seu caso ser avaliado pela procuradoria distrital de Nova Iorque. Os procuradores podem decidir apresentar diferentes acusações criminais, explicou ao PÚBLICO uma porta-voz do gabinete do procurador distrital de Nova Iorque.
Renato Seabra, 21 anos, foi acusado de homicídio em segundo grau na morte do colunista social Carlos Castro, cuja pena vai de 25 anos a prisão perpétua, mas a hipótese de lhe ser atribuída uma ofensa mais grave ainda está em aberto. A lei americana prevê dois tipos de homicídio: em primeiro grau, quando existe premeditação ou outras circunstâncias agravantes (como intenção e prática de tortura); em segundo grau, o mais comum, quando não existe premeditação ou, por exemplo, o autor agiu sob influência de uma perturbação emocional extrema.
Ainda segundo a porta-voz do gabinete do procurador distrital de Nova Iorque, uma vez feita a acusação, o tempo habitual para o caso ser apresentado a um juiz que determinará as circunstâncias em que Renato Seabra aguardará julgamento, é de cinco dias, mas quando o arguido está internado no hospital, como é o caso, pode ser diferente.
Segundo o Departamento da Polícia de Nova Iorque, Renato Seabra continua internado em Bellevue, um hospital na zona leste de Manhattan que tem duas unidades operadas pelo Departamento de Correcções da polícia. Seabra encontra-se na unidade psiquiátrica desse espaço, "bastante semelhante a uma prisão, com barras e restrições de acesso", descreveu o porta-voz do hospital, Steve Bohlen.
A mãe de Renato Seabra, que chegou a Nova Iorque no domingo, tentou visitar o filho no hospital na segunda-feira, mas não foi autorizada. Contactado pelo PÚBLICO, o Departamento de Correcções explicou que existem dias e horas específicas para as visitas de familiares de pacientes que se encontram sob custódia no Bellevue, e aos domingos e segundas-feiras não são permitidas visitas.
Duas irmãs e um amigo de Carlos Castro, Cláudio Montez, chegaram ontem à noite a Nova Iorque para tratar da cremação e cerimónia fúnebre do colunista social assassinado na passada sexta-feira.

