Procurador-geral da República defende inspecções externas à Polícia Judiciária

02.10.2007 - 18:46 Por Lusa
O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, defendeu hoje, no Parlamento, que, além das inspecções internas, a Polícia Judiciária (PJ) possa ser sujeita a inspecções externas, a cargo do Ministério Público.
Pinto Monteiro falava sobre a proposta de lei orgânica da PJ na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, onde também foi ouvido sobre a criação de uma base de dados de perfis ADN e sobre o diploma de ingresso nas magistraturas e formação no Centro de Estudos Judiciários.
Sobre a lei orgânica da PJ, Pinto Monteiro centrou a sua intervenção numa "única questão": a PJ, além da inspecção interna prevista na proposta, poder ser alvo de uma inspecção externa, a ser determinada pelo próprio procurador-geral da República.
"Além da inspecção interna, devia haver uma inspecção externa a cargo do Ministério Público. Penso que é um erro não ser consagrada nesta lei uma inspecção externa [à PJ]", disse Pinto Monteiro, referindo que esta solução não é nova e já vigorou no passado.
Apurar "como os processos se movimentam"
Para evitar quaisquer equívocos quanto às intenções, o procurador-geral da República afirmou também que não se trataria de uma inspecção à organização da PJ, nem aos seus funcionários, mas "uma inspecção processual, uma inspecção funcional", para apurar "como os processos se movimentam".
O procurador-geral da República declarou, à saída daquela comissão parlamentar, que os deputados "mostraram-se extremamente receptivos" à ideia hoje apresentada.
Pinto Monteiro explicou aos jornalistas que a nova lei de Política Criminal e a lei de Organização da Investigação Criminal dão ao procurador-geral da República poderes de emitir directivas e instruções genéricas que vinculam os órgãos de polícia criminal e que com uma inspecção externa seria possível saber se tais orientações estariam a ser cumpridas.
"Se o procurador-geral da República tem de prestar contas sobre os poderes que a Assembleia da República lhe conferiu, tem de ter meios [inspecção externa] para exercer esses poderes", considerou ainda Pinto Monteiro.

